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Como o Paraguai conseguiu erradicar a malária

É o segundo país latino-americano a conseguir se livrar da doença. O primeiro foi Cuba, em 1973

 

O Paraguai conseguiu erradicar totalmente a malária, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). É o segundo país latino-americano a conseguir se livrar da doença. O primeiro foi Cuba, em 1973, também segundo a OMS.

Há cinco anos, o Paraguai não registra um caso de malária. É o primeiro país do mundo a se declarar sem a doença desde que o Sri Lanka fez o mesmo, em 2016. Entre os 45 anos que separam os feitos cubano e paraguaio, nenhum país da América Latina conseguiu eliminar a malária.

O país começou a desenvolver políticas e programas de controle e eliminação de malária na década de 1950. Na década anterior, havia registrado 80 mil casos da doença, segundo dados oficiais.

O último caso registrado foi em 2011. Foi nesse ano que o Paraguai lançou um plano com o objetivo de impedir a volta da doença. Trabalho em comunidades e iniciativas educacionais foram realizadas ao lado da disponibilização de opções de diagnóstico e tratamento.

O ministério da Saúde do Paraguai também capacitou profissionais de saúde e investiu em prevenção, detecção de casos suspeitos e rapidez de diagnóstico e tratamento. A capacidade de reação rápida foi importante para conter a possibilidade de importação da doença.

Iniciativas do país contaram com apoio do Fundo Global de Luta Contra Aids, Tuberculose e Malária, maior financiador mundial de programas contra a doença. A organização tem entre seus principais financiadores a Fundação Microsoft, do casal Bill e Melinda Gates.

O Brasil quase erradicou a malária?

Em 2016, o Brasil havia registrado o menor número de casos em 37 anos. Era o sexto ano consecutivo de queda. O clima era de tal modo otimista que, um ano antes, um especialista americano da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) – vinculada à OMS – havia declarado que o Brasil caminhava rumo à eliminação da doença.

Entretanto, em 2017, o número de casos subiu 50% no país, chegando a 194 mil episódios. Os maiores aumentos foram registrados no Pará (153%), no Amazonas (65%) e em Roraima (56%). A região amazônica concentra 99% dos casos no país. Mas houve ocorrências em todas as regiões nacionais. No Sul e Sudeste, a cidade mais afetada foi Campinas, em São Paulo, com 14 casos.

Algumas hipóteses tentam explicar a recaída brasileira. Mundialmente, houve um aumento da doença de 2% em 2016, segundo uma delas. Outra aponta que a saúde pública do país, nos níveis federal e locais, deixou de priorizar o controle da doença ao considerar que o problema estava perto de uma solução definitiva. Em novembro de 2016, o departamento de malária do Ministério da Saúde foi fundido com o de dengue, zika e chikungunya.

“A gente acredita que o aumento esteja relacionado à fragilidade de medidas de controle”, disse Tânia Chaves, do Instituto Evandro Chagas, do Pará, à BBC. “Muitas das ações que vinham sendo feitas de forma coordenada acabaram sendo desmontadas.”.

“As pessoas praticamente não morrem mais por malária no Brasil. Então… deixa de ser prioridade para as prefeituras. Elas deixam de investir em pessoal e equipamento”, afirmou Marcus Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical, também à BBC.

A malária é uma doença que ocorre principalmente em zonas rurais. É transmitida pela picada de um mosquito que esteja portando um de quatro tipos de protozoário plasmódio (Falcipare, Vivax, Ovale e Malariae). De acordo com a OMS, quase metade da população mundial corre risco de contrair a doença. Em 2015, segundo a entidade, estima-se que cerca de 429 mil pessoas morreram de malária no mundo, 92% na África subsaariana.

ESTAVA ERRADO: A primeira foto usada nesta matéria mostrava um Aedes aegypti, mosquito que não transmite malária. A imagem foi substituída às 12h31 de 19 de junho de 2018.

 

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