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A editora que disponibiliza obras em domínio público escritas por mulheres

Projeto da designer colombiana Juliana Castro Varón colocou on-line, em edições cuidadosamente elaboradas, livros de ficção, memórias e ensaios

    Temas
    Foto: Divulgação/Cita Press
    Capas dos livros da primeira coleção da Cita Press
     

    “Biblioteca digital feminista de Livre Acesso que celebra o trabalho de mulheres”, segundo define sua idealizadora, o projeto Cita Press disponibiliza edições cuidadosamente elaboradas de livros de autoria feminina, em versão impressa e digital.

    Podem ser lidos on-line, baixados ou impressos e montados em casa, seguindo instruções do site.

    Criado por Juliana Castro Varón, designer colombiana radicada nos EUA que vinha trabalhando no projeto desde 2017, a Cita Press foi lançada em março de 2018.

    A ideia surgiu durante o mestrado de Varón na Universidade do Texas, para o qual vinha pesquisando arquivos de obras de arte de Livre Acesso.

    O que há no site

    Na primeira coleção lançada pela editora independente, há textos de ficção, memórias e ensaio, que datam do século 18 ao início do século 20. Até o momento, estão disponíveis somente em inglês.

    Inclui títulos como “O Papel de Parede Amarelo”, de 1892, da escritora americana Charlotte Perkins Gilman, “Silly Novels by Silly Lady Novelists” (algo como “Romances bobos por mocinhas romancistas”), de 1856, de Mary Anne Evans, e “On the Equality of the Sexes” (“Sobre a Igualdade entre os Sexos”), ensaio de 1790 de Judith Sargent Murray.

    Foto: Divulgação/Cita Press
    Capas dos livros da primeira coleção da Cita Press
     

    Cada um vem acompanhado de um prefácio escrito a convite da Cita Press por um autor ou acadêmico contemporâneo, que ajuda na compreensão do contexto em que a obra foi escrita e sua importância no presente.

     

    O nome “cita” tem um duplo significado, segundo explicou Varón em entrevista ao Nexo. Em inglês, pode significar “citação”. Já em espanhol, pode ter sentido de encontro romântico ou compromisso, além de ser o sufixo responsável pelo diminutivo feminino. “‘Mujer’ é mulher, ‘mujercita’ é mulherzinha”, disse.

    “Vivemos em uma sociedade que nos ensina muitas coisas que, de formas muito sutis, vão contra a igualdade. Por exemplo, que mulheres são [feitas] para se amar e cuidar e homens para se admirar, temer e respeitar”, diz Varón. “Acho crucial que mulheres do passado inspirem admiração. Meu objetivo é celebrar o trabalho delas para que jovens — mulheres ou homens — as admirem.”

    Justificativa

    Um vídeo de divulgação do projeto explica que, quando o direito autoral de uma obra expira, ela entra em domínio público, mas raramente ela é disponibilizada em um formato de qualidade e livre acesso.

    Por conta disso, editoras e distribuidores continuam a deter a maior parte da receita gerada por essas obras, mesmo quando já podem ser acessadas livremente por qualquer um.

    O objetivo da Cita Press é aumentar o alcance de obras feministas. Em sua época, com frequência, as autoras tiveram de publicar sob pseudônimos ou usando apenas as iniciais para ser levadas a sério em um meio masculino.

    “A maior parte dos marcos literários que são amplamente lidos e estão em domínio público (isto é, sem direito autoral) foram escritos por homens. Isso não quer dizer, no entanto, que não existam muitos conteúdos incríveis em domínio público criados por mulheres. A ‘Cita’ celebra isso.”

    Juliana Castro Varón

    Em entrevista ao Nexo

    Algumas delas trataram de temas considerados chocantes ou imorais e caíram no esquecimento após a publicação.

    Futuramente, o projeto irá acrescentar novos títulos à biblioteca on-line, disponibilizar textos também em espanhol e convidar autoras contemporâneas a participarem.

    Entre os títulos que estão “no prelo”, Varón adianta que há um jornal anarco-feminista (que deve ser a primeira publicação em espanhol do site), um livro de poemas e a autobiografia de Harriet Jacobs, “Incidents in the life of a Slave Girl” (Incidentes da vida de uma menina escrava, em tradução livre).

    Publicada em 1861, ela “aborda questões de raça e gênero de uma maneira que provavelmente nenhuma mulher havia escrito antes nos EUA”, disse a designer ao Nexo.

     

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