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PIB cresceu 0,4%: qual o estágio da economia com essa lenta recuperação

Gráficos mostram que quinto crescimento trimestral consecutivo coloca economia brasileira em patamar parecido com o de 2011

     

    A soma de tudo que o Brasil produziu no primeiro trimestre de 2018 foi 0,4% maior do que o total dos últimos três meses de 2017. O resultado do PIB (Produto Interno Bruto), divulgado na manhã de quarta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi o quinto positivo consecutivo. Antes disso, a economia brasileira vinha de oito trimestres seguidos de queda.

    R$ 1,641 trilhão

    valor do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2018

    Apesar do crescimento acima das projeções para este primeiro trimestre, o resultado foi considerado ruim pela gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionisio, que disse que o resultado "não chega nem a ser um crescimento".

    O resultado do primeiro trimestre

    Existem duas maneiras de se medir o PIB: somando tudo que o país produz ou somando tudo o que o país demanda. Pelo chamado lado da oferta, o IBGE soma o que foi produzido pela agropecuária, indústria e serviços. Do outro lado vêm gastos do governo, investimentos e consumo das famílias.

    O IBGE sempre contabiliza as duas maneiras.

    A oferta

    O crescimento de 0,4% foi impulsionado principalmente pela agropecuária. O setor, que costuma ter resultados bons nos primeiros meses do ano, foi o que mais cresceu: 1,4% em comparação ao trimestre anterior.

    Mas quando se compara a produção agrícola do Brasil com o início de 2017, quando houve a supersafra, o resultado é negativo: -2,6%. Ou seja, mesmo produzindo menos que em 2017, o agronegócio ainda teve o melhor resultado da economia.

    Os outros setores da produção nacional tiveram resultados fracos: 0,1% de crescimento tanto para a indústria quanto para o setor de serviços, que engloba todo o comércio e é o que mais pesa no PIB.

    A demanda

    Olhando para os gastos das famílias, do governo e das empresas, nenhum setor teve o crescimento verificado na agricultura, mas o resultado foi mais equilibrado. O governo, com a atual situação dos cofres públicos, mais uma vez reduziu seus gastos: -0,4%.

    Por outro lado, o consumo das famílias, que tem o maior peso no resultado, cresceu 0,5%. A formação bruta de capital fixo, também chamada de investimento, cresceu 0,6%. É investimento todo gasto que serve para aumentar a produção no futuro.

    O crescimento do investimento no primeiro trimestre foi o quarto consecutivo, uma sequência assim que não acontecia desde 2013. Entre 2014 e 2017, esse dado teve 12 resultados negativos em 13 trimestres. Isso possibilitou uma leve melhora na taxa de investimento agora, depois de ter caído de 21,5% para cerca de 16% nos últimos anos.

    Variação

    O estágio da economia

    O Brasil esteve em recessão entre o segundo trimestre de 2014 e o último de 2016, segundo avaliação do Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos). Durante esse período, o país chegou a perder 8,1% do seu PIB. Agora, com os últimos cinco trimestres de crescimento, o que o Brasil conseguiu foi recuperar apenas parte do que se perdeu na recessão.

    Os dois gráficos abaixo mostram quanto cada setor perdeu e recuperou em relação ao último trimestre antes da crise econômica. Neles é possível ver a queda de cada um dos setores da oferta e da demanda e do PIB como um todo.

     

    Mesmo com cinco trimestres consecutivos de crescimento, a economia brasileira ainda está 5,7% menor do que era no início de 2014. O gráfico abaixo mostra que o país está prestes a atingir um nível parecido com o que tinha no segundo trimestre de 2011, quase sete anos atrás.

     

    Antes mesmo da divulgação feita pelo IBGE nesta quarta-feira (30), as projeções de economistas para o crescimento do PIB brasileiro em 2018 já vinham diminuindo. O próprio governo federal, que esperava a economia crescesse 2,97%, passou a trabalhar com 2,5%. Mas nenhuma dessas projeções leva em conta ainda o impacto da greve dos caminhoneiros que acontece há mais de uma semana em todo o país.

    Colaborou Rodolfo Almeida (gráficos)

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