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Qual a razão e a dimensão da greve dos petroleiros

Depois das rodovias bloqueadas, agora é a vez das refinarias. Trabalhadores do setor param por 72 horas para pedir mudanças na gestão da Petrobras

     

    O início da greve de 72 horas que a FUP (Federação Única dos Petroleiros) realiza a partir da meia-noite desta quarta-feira (30) coincide exatamente com o décimo dia da paralisação dos caminhoneiros e das empresas de transporte no Brasil.

    A conjunção das duas manifestações – a dos petroleiros se inicia enquanto a dos caminhoneiros começa a minguar – aumenta o desgaste de um governo cujos índices de impopularidade já batem níveis recordes.

    Além disso, a paralisação dos petroleiros aumenta a preocupação com a falta de combustíveis e com o restabelecimento da normalidade de serviços públicos e privados que dependem do diesel, da gasolina e do gás em todo o país, embora os petroleiros digam que o movimento deles não afeta o suprimento, uma vez que os depósitos das refinarias estão lotados.

    Para os sindicatos, esta será uma paralisação apenas “de advertência” ao governo, pois a classe planeja para junho uma greve “maior e mais forte”.

    A ligação com os caminhoneiros

     

    Há ligação entre os dois movimentos. Os atos dos petroleiros foram apresentados como sendo “contra a política da Petrobras de reajuste diário dos preços dos combustíveis” e “de apoio ao movimento dos caminhoneiros”.

    Existe, porém, pelo menos uma diferença importante: enquanto o setor de transportes tem representação difusa, espalhada por pelo menos uma dezena de siglas e por milhares de caminhoneiros autônomos, o setor petroleiro funciona dentro de uma estrutura sindical mais tradicional e conhecida, o que, pelo menos em tese, facilita a interlocução com o governo. A FUP é ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores).

    Por outro lado, a pauta dos petroleiros tem demandas que dificilmente serão atendidas pelo governo. Uma delas é a saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras.

    Principais itens da pauta:

    Preço

    O primeiro item da pauta dos petroleiros é a “mudança da política de preços da Petrobrás”. Os trabalhadores do setor reclamam dos “reajustes diários nos valores do diesel, da gasolina e do gás de cozinha”, que vêm ocorrendo desde julho de 2017.

    Emprego

    O segundo item da pauta é a “manutenção dos empregos”. A entidade diz que o fechamento de divisões de fertilizantes na Bahia e em Sergipe, e de termelétricas em outros estados ameaça postos de trabalho.

    Produção

    Os petroleiros pedem ainda a “retomada da produção interna de combustíveis”. De acordo com o movimento sindical do setor, “o Brasil está importando hoje o equivalente a 30% da própria demanda”.

    Privatização

    A FUP diz que “Parente mantém refinarias com carga reduzida para justificar importações e promover o sucateamento da estatal”, como “parte dos planos de privatização” da empresa que é majoritariamente estatal.

    Paralisações de advertência já vêm ocorrendo

    Além da greve de 72 horas, “paralisações de advertência” já vêm ocorrendo nos últimos dias. Nesta segunda-feira (28), houve paralisações na Replan (Refinaria de Paulínia), a maior do Brasil, responsável por 20% do refino nacional, e na Recap (Refinaria de Capuava), na região metropolitana de São Paulo.

    A FUP diz que a adesão foi de 90% em Paulínia e de 100% em Capuava. As paralisações foram apresentadas como “um esquenta” para a greve nacional.

    Além dos sindicatos, os movimentos

    A Frente Povo Sem Medo, ligada às esquerdas, convocou uma manifestação para as 18 horas, no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista.

    Os petroleiros disseram que a Frente Brasil Popular também se uniu ao movimento. Juntas, as duas frentes representam mais de cem entidades. No evento do Povo Sem Medo, entretanto, apenas 74 pessoas haviam marcado presença pelo Facebook até a tarde de terça-feira (29).

    Governo tenta barrar a greve na Justiça

    A Advocacia-Geral da União e a Petrobras pediram ao Tribunal Superior do Trabalho que conceda uma liminar para impedir que a greve dos petroleiros aconteça.

    “O direito de greve de uma categoria não pode se sobrepor aos direitos fundamentais de toda a coletividade”, disse a advogada-geral, ministra Grace Mendonça.

    O governo considera que a greve dos petroleiros apresenta uma pauta político-ideológica e cita como exemplo o pedido de demissão de Parente da presidência da Petrobras. A Advocacia-Geral da União pede multa diária de R$ 10 milhões aos sindicatos que descumpram uma liminar que eventualmente proíba a realização da greve.

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