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Como funciona o principal torneio de seleções não vinculado à Fifa

Terceira edição da Copa do Mundo da ConIFA, que reúne micronações, regiões independentes e povos autônomos, acontece em entre 31 de maio e 9 de junho, em Londres

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    A Copa do Mundo de futebol organizada pela Fifa (Federação Internacional de Futebol) a cada quatro anos é o maior campeonato de seleções do planeta.

    Desde sua criação, em 1930, o número de participantes e a oferta de vagas no torneio só aumentou. Para a edição de 2018, que acontece na Rússia entre 14 de junho e 15 de julho, 32 equipes nacionais de cinco continentes diferentes disputarão o título.

    Com exceção da Rússia, classificada automaticamente por ser o país-sede, as outras 31 vagas do mundial foram conquistadas após uma série de partidas eliminatórias, realizadas durante dois anos. Ao todo, 209 das 211 seleções associadas à Fifa participaram do processo, divididas em seis confederações continentais:

    • AFC (Ásia), que conta com 46 países;
    • CAF (África), 54; 
    • Conmebol (América do Sul), 10;
    • Concacaf (América do Norte, Central e Caribe), 35;
    • OFC (Oceania), 11;
    • Uefa (Europa), 55.

    Ainda que inclusiva, superando até mesmo o total de nações reconhecidas pela ONU (Organização das Nações Unidas), que considera 193 países, a lista de associados da Fifa não contempla todos os locais onde se pratica futebol.

    Estados com pouco reconhecimento internacional como micronações, regiões independentes, povos autônomos e minorias étnicas, por exemplo, mantêm seus próprios torneios paralelos à administração da Fifa.

    A competição mais famosa do gênero é a Copa do Mundo da ConIFA (sigla em inglês para Confederação de Futebol de Associações Independentes). Ela terá sua 3ª edição entre 31 de maio e 9 de junho de 2018.

    As partidas serão disputadas em três pequenos estádios de Londres por 16 equipes, da América do Norte, Europa, Ásia, África e Oceania.

    Quem participa

    Tamil Eelam

    Região do Sri Lanka reivindicada por separatistas da etnia tâmei, nativa da Índia

    Abecásia

    Parte da Geórgia que busca autonomia desde 1993

    Felvidek

    Região do sul da Eslováquia onde vivem falantes de húngaro

    Armênia Ocidental

    Também conhecida como Armênia turca

    Barawa

    Pequena cidade portuária da costa sudeste da Somália, onde vivem falantes do dialeto bravanês

    Tibete

    Região a nordeste do Himalaia que faz fronteira com a Índia

    Kiribati

    Arquipélago de 33 ilhas da Micronésia, no oceano Pacífico

    Cascádia

    Representa a região da Cascádia, localizada entre Estados Unidos e Canadá

    Padânia

    Time do Vale do Pado, região ao Norte da Itália

    República Turca de Chipre do Norte

    Ocupa o terço norte da ilha europeia de Chipre

    Panjabe

    Localizada entre o norte da Índia e o sul do Paquistão

    União coreana no Japão

    Nativos da Coreia que vivem em território nipônico, conhecidos como “zainichi”

    Matabeleland

    Região do oeste do Zimbábue, habitada pelo povo ndebele

    Cabília

    Região montanhosa do norte da Argélia que fala a língua cabila, uma variedade do berbere

    Ilha de Man

    Situada entre Irlanda e Inglaterra, pertence à Coroa Britânica

    País Székely

    Área da Romênia habitada pelo povo sículo, nativo da Hungria

    “Existem muitas pessoas cujas identidades não são representadas pela estrutura atual da Fifa. Se você é catalão, joga pela Espanha; se é do Tibete, joga pela China. O sistema simplesmente não funciona para muitas pessoas, e é este o porquê da existência da ConiFA ser necessária”, disse Paul Watson, diretor da ConIFA, em entrevista ao site These Football Times.

    O condado de Nice, na França, e a Abecásia foram os vencedores das duas primeiras Copas organizadas pela entidade. Junto do time de Padânia, região que representa o Vale do Pado, no norte da Itália, os abecases são novamente cotados como favoritos ao título. As duas seleções são as únicas a figurarem nas três Copas organizadas pela ConIFA.

    "Nossa Copa do Mundo de futebol só fica maior e maior. Depois do torneio inaugural ser realizado na Suécia em 2014, alcançamos um novo patamar em Abecásia , no ano passado, com o evento recebendo cobertura da mídia de todo continente habitável. Estamos confiantes que 2018 seja nosso melhor torneio, e Londres será a sede perfeita para isso"

    Per-Anders Blind,

    presidente da ConIFA, em entrevista ao site Goal

    Criada em 2013 e com sede na Suécia, a ConIFA conta atualmente com 48 membros, que representam mais de 300 milhões de pessoas por todo mundo. Ao site Culture Trip, Watson definiu a política da entidade em relação a candidatura de novos associados da seguinte maneira: “Temos regras de entrada bastante restritas, mas se um país possui uma identidade legítima, precedentes históricos, identidade étnica e linguística, não podemos dizer que não é válida”.

    Copa CSANF

    Atualmente, outro torneio independente de seleções também vem ganhando destaque a nível regional. Organizada pelo CSANF (Conselho Sul-Americano de Novas Federações), entidade conhecida popularmente por “Conmebol alternativa”, a Copa CSANF envolve equipes da América do Sul não filiadas à Fifa.

    Duas edições do torneio foram realizadas até agora. Jogando em casa, o primeiro campeão foi Juan Fernández, pequeno grupo de ilhas que fica a 600 km de distância da costa do Chile. Na segunda edição do torneio, realizada em em Buenos Aires, a Comunidade Armênia na Argentina derrotou a representação do arquipélago de Fernando de Noronha.

    Pertencente ao estado de Pernambuco, o conjunto de ilhas do nordeste é uma das três representações brasileiras que fazem parte da CSANF. Entre os dez afiliados, estão também um time de Mbya Guarani, etnia indígena do sul e sudeste do Brasil, e a Fefafer, Federação de Futebol Amador do Estado de Roraima.

    ESTAVA ERRADO: O subtítulo da primeira versão deste texto dizia que a 3ª edição da Copa da ConIFA começava em 31 de julho, quando na verdade é 31 de maio. A informação foi corrigida às 23h54 de 27 de maio de 2018.

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