Ir direto ao conteúdo

O que é a pré-eclâmpsia. E como ela põe gestantes em risco

Mulheres grávidas que apresentam fatores de risco devem ser monitoradas no pré-natal e medicadas para prevenir convulsões

 

A data de 22 de maio foi instituída em 2017 por entidades internacionais como o Dia Mundial da Pré-Eclâmpsia – uma complicação de alto risco na gestação, tanto para a mãe quanto para a criança.

A doença afeta de 8 a 10% das gestações no mundo, causando a morte de 76 mil mães e 500 mil bebês por ano. No Brasil e na América Latina, doenças hipertensivas, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, são a principal causa de mortalidade materna (provocada por complicações da gravidez, do parto e do puerpério). 

Pode se desencadear a partir da vigésima semana de gravidez, durante o parto, e até 40 dias após, e progride rapidamente.

A doença ocorre quando o aumento da pressão arterial é acompanhado de perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria (que sinaliza haver dano renal), ou de outros sintomas, como dor de cabeça, alterações na visão e dor abdominal.

Se não for controlada, leva à eclâmpsia, caracterizada por convulsões.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 99% das mortes de mulheres por causas evitáveis relacionadas à gravidez ocorrem nos países em desenvolvimento.

“Nos países de alta renda, não há mais mortes por eclâmpsia há muito tempo”, disse a obstetra e professora da Unicamp, Maria Laura Costa, ao Nexo. “Fazem o diagnóstico precoce [da pré-eclâmpsia] e tratamento adequado”.”

Como acontece

A gestante que desenvolve pré-eclâmpsia não necessariamente já sofre de hipertensão. Pesquisadores ainda não têm certeza de como a doença se desencadeia.

“Provavelmente, é uma alteração na placenta que ocorre precocemente na gravidez mas só dá sintomas mais tarde”, disse Maria Laura Costa em entrevista.

Algumas mulheres são mais propensas à condição. Fazem parte do grupo de risco aquelas que já tiveram a doença em gravidez anterior, as hipertensas crônicas e portadoras de doença renal ou autoimune, como lúpus.

Quais os riscos

A hipertensão é a principal responsável no Brasil pelos partos prematuros terapêuticos, induzidos pelos médicos para salvar a vida das mães ou dos bebês.

Para a mãe

O risco imediato, para a mãe, é evoluir de pré-eclâmpsia para eclâmpsia, quadro mais grave. 

A longo prazo, mães que tiveram pré-eclâmpsia têm alto risco, ao longo da vida, de apresentar hipertensão crônica, doença cardiovascular, doença renal, apresentando maior chance, em relação à população em geral, de morrer mais cedo.

Para a criança

Para o feto, especialmente nos casos de pré-eclâmpsia precoce (antes de 34 semanas), o bebê pode nascer menor do que deveria e ter sofrimento fetal, que ocorre quando o feto fica privado de oxigênio.

Como prevenir

A pré-eclâmpsia acontece, na maior parte das vezes, no final da gravidez e não existe uma maneira efetiva de preveni-la ou dizer de antemão quais pacientes terão complicações.

Maria Laura Costa destaca a importância da identificação dos fatores de risco, da vigilância e do diagnóstico adequado.

Os sinais de desenvolvimento, porém, são identificáveis.

Como descreve a professora Maria Laura Costa, se a paciente ganha mais do que 500 gramas por semana, apresenta inchaço ou começa a ter dor de cabeça, náusea, além da pressão alta, deve receber atendimento especializado, com vigilância rigorosa durante o pré-natal.

A partir do reconhecimento desses sinais, a gestante deve receber medicação – sulfato de magnésio – que previna a convulsão, o que permite evitar a eclâmpsia. 

Costa é uma das responsáveis pelo Ambulatório de Pré-Natal Especializado em Hipertensão do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Unicamp, que atende 30 grávidas com condições de alto risco para pré-eclâmpsia por dia.

Segundo ela, o número de atendimentos nesse ambulatório têm aumentado. A razão é que condições associadas à hipertensão, como obesidade e diabetes, têm aumentado na população.

“Muitas mulheres que têm doenças crônicas (anemia falciforme, doença renal), mesmo graves, hoje em dia têm um controle clínico melhor e conseguem engravidar”, disse.

 

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante?

Entre aqui

Continue sua leitura

Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: