Quem está na equipe econômica de Alckmin. E o que ela defende

Pré-candidato do PSDB à Presidência apresentou nomes de perfil liberal para coordenar programa de governo

    Geraldo Alckmin pretende concorrer à Presidência da República mais uma vez em outubro de 2018. Doze anos antes, ele foi ao segundo turno, mas perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

    Governador de São Paulo por quatro mandatos diferentes, ele faz parte de um dos maiores partidos do Brasil, o PSDB. Até o momento, porém, patina nas pesquisas, sem chegar a dois dígitos nas intenções de voto.

    Em evento nesta quinta-feira (17), na capital paulista, Alckmin, que é presidente nacional do partido, divulgou quem estará na linha de frente do seu programa na área econômica.

    A equipe de Alckmin na economia

    PÉRSIO ARIDA

    Economista, já havia sido anunciado anteriormente como chefe da área econômica da equipe de Alckmin. Foi um dos mentores do Plano Real, plano de estabilização econômica que impulsionou Fernando Henrique Cardoso, também do PSDB, do cargo de ministro da Fazenda a dois mandatos como presidente da República. Arida presidiu o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) entre 1993 e 1994, no governo Itamar Franco, e também o Banco Central, em 1995, já no governo FHC. Faz parte da Casa das Garças, centro de estudos em economia com perfil liberal e sede no Rio de Janeiro.

    EDMAR BACHA

    Economista que também foi um dos criadores do Plano Real, nos anos 1990. Presidiu o BNDES e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foi consultor do Itaú por quase 15 anos. Também faz parte da Casa das Garças, e desde 2017 é membro da Academia Brasileira de Letras. Na campanha, estará focado nas áreas de abertura da economia e comércio exterior.

    JOSÉ ROBERTO MENDONÇA DE BARROS

    Economista e consultor, foi professor da USP por mais de 30 anos. Integrou o Ministério da Fazenda no governo FHC. É conselheiro do banco Santander, da Bovespa e da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Na campanha, atuará na área da agropecuária.

    ALEXANDRE MENDONÇA DE BARROS

    Engenheiro agrônomo e consultor no setor agropecuário, foi professor de economia da USP e da FGV. Já atuou em instituições como a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), além de empresas privadas. Na campanha, se concentrará na agropecuária.

    O PSDB defende o Plano Real em toda campanha presidencial, como um dos maiores feitos do partido, por ter estabilizado a inflação e criado uma moeda brasileira mais estável. Tucanos sustentam que o crescimento econômico no governo Lula só foi possível por políticas implementadas antes do PT chegar ao poder, como o Plano Real.

    A participação de dois dos seus criadores indica que o Plano Real deve voltar a aparecer na campanha. Além de representar uma equipe com economistas experientes no setor público.

    O que essa equipe econômica pensa

    Intelectuais de perfil liberal, os quatro nomes que conduzirão a economia no programa de governo de Alckmin defendem incentivos à iniciativa privada, uma reforma tributária para dar “segurança jurídica” a investidores e empresas e mais abertura econômica ao exterior.

    Para o ex-governador, o Estado “é regulador, não precisa ser dono de empresa, ser empresário”.

    “Temos que abrir [a economia] para capital estrangeiro sim (...) Esse argumento de que é setor estratégico [e não pode ter investimento estrangeiro ou privatização] normalmente é evocado para defender o atraso”

    Pérsio Arida

    economista e chefe da equipe econômica de Alckmin, nesta quinta (17)

    Alckmin deverá divulgar novos nomes para sua equipe econômica nas próximas semanas.

    Alexandre e José Roberto Mendonça de Barros defendem que agricultura e pecuária fortes são benéficas para diminuir a desigualdade social. Citam Santa Catarina como um estado agrícola que tem altos índices de distribuição de renda, e também de um polo tecnológico no setor agropecuário, como um exemplo a ser seguido pelo governo federal.

    “Nós temos que fazer com o resto da economia brasileira o que fizemos na agricultura, que teve um extraordinário crescimento de produtividade nos últimos 25 anos”

    Edmar Bacha

    economista e integrante da equipe econômica de Alckmin, nesta quinta (17)

    Incentivos a investimentos privados em infraestrutura também é um dos eixos do programa econômico de Alckmin. Para o ex-governador, obras na área significam “emprego na veia”. Arida disse que o setor é “fundamental para a abertura econômica”.

    A equipe diz planejar taxas baixas de juros, a fim de facilitar crédito para empresários poderem investir no país, notadamente no setor agropecuário.

    A política de juros baixos, dizem, também deve ser replicada nos bancos, com redução do spread bancário — nome dado à diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que eles cobram para emprestá-lo ao cliente.

    O discurso do candidato

    O ex-governador de São Paulo vem adotando um discurso mais liberal que em 2006, quando disputou pela primeira vez a Presidência da República.

    Naquela eleição, ele chegou a ir a público dizer que não privatizaria estatais. Agora, após 13 anos de governos petistas - e de críticas à condução econômica com forte atuação estatal -, o discurso mudou.

    O tucano tem dito que privatizará “tudo o que for possível”, a partir de avaliações caso a caso. O pré-candidato afirma que mesmo alguns setores da Petrobras, a maior estatal brasileira, podem ser repassados ao setor privado.

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