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IBC-Br cai 0,13% no 1º trimestre: o que isso indica sobre o PIB

Índices de atividade econômica têm metodologias e objetivos distintos. Entenda a diferença entre eles

     

    A economia brasileira patinou no primeiro trimestre de 2018. É isso que mostra o IBC-Br, índice de atividade econômica divulgado pelo Banco Central mensalmente. O IBC-Br aponta um leve recuo nos primeiros três meses do ano, queda de 0,13% em comparação com os três últimos meses de 2017. É a primeira queda do tipo desde 2016.

    O dado foi divulgado na quarta-feira (16). Ele mostra que o mês de março puxou para baixo o índice trimestral em comparação ao mesmo período do ano anterior.

    O número deve motivar novas revisões no crescimento da economia brasileira em 2018. E para pior. Motivadas por dados frustrantes da indústria e do comércio, as projeções já vinham sendo alteradas. O resultado do IBC-Br é mais uma indicação de que o primeiro trimestre foi ruim.

    A revisão nas projeções é baseada também na expectativa do que deve acontecer até o fim do ano. Há um consenso de que as condiç��es internacionais ficaram menos favoráveis para o Brasil.

    O que é o IBC-Br

    O IBC-Br é uma espécie de termômetro da economia, que dá indicações mais rápidas de como vai o país. Por ser divulgado com mais frequência e sempre antes do Produto Interno Bruto, ele ganhou o apelido, difundido na imprensa, de “prévia do PIB”. Essa terminologia, no entanto, é rechaçada por economistas e pelo próprio Banco Central, responsável pelo cálculo.

    Assim como o PIB, o IBC-Br é um indicador de atividade econômica. O PIB, inclusive, é usado como modelo pelo IBC-Br. Mas o Banco Central ressalta que “há diferenças conceituais, metodológicas e mesmo de frequência” na apuração dos dois. O Nexo mostra as diferenças entre os dois dados.

    Periodicidade e função

    O IBC-Br foi criado em 2010 para que o Banco Central e os agentes econômicos pudessem acompanhar com maior frequência a evolução do desempenho da economia. Ele é usado, por exemplo, como base pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na hora de definir a taxa básica de juros.

    O resultado do índice do Banco Central sai cerca de 45 dias após o fim do mês analisado. O resultado do PIB é divulgado quatro vezes por ano pelo IBGE e sai cerca de dois meses depois que termina o trimestre.

    O Banco Central avalia que “o IBC-BR tem se mostrado particularmente importante nos primeiros meses de cada trimestre”. Por exemplo: o IBC-Br de janeiro é divulgado na metade de março, mas o PIB referente àquele mês (mais fevereiro e março) só será divulgado no início de junho.

    Metodologia

    O IBC-Br usa o PIB como referência, mas tem metodologia bastante diferente. O IBC-Br é calculado, o PIB é medido.

    Isso porque, pela necessidade de se publicar o resultado mais rapidamente, o Banco Central não coleta os dados. Ele usa amostras, aproxima e estima esses resultados para toda a economia. É um índice menos complexo, menos preciso, mas por isso mais rápido.

    Outra diferença é que o IBC-Br só avalia o lado da oferta da economia: a produção da agricultura, indústria e serviços.

    O PIB, dado oficial da economia, avalia também a demanda: consumo das famílias, do governo e investimentos feitos. Em tese, o que é produzido de um lado é consumido do outro. Por isso, e por não ser baseado em aproximações, o PIB é mais seguro contra imprecisões.

    Resultados

    Na avaliação do Banco Central, o IBC-Br “cumpre o papel de indicar a tendência da atividade econômica”. Quando se comparam séries históricas mais amplas, como dados anuais, há bastante coincidência entre as taxas de crescimento e retração da economia. Comparando períodos mais curtos, como trimestres, as diferenças podem ser maiores.

    Diferenças

     

    Em 2017, por exemplo, o dado do IBC-Br serviu para apontar a tendência em pelo menos três dos trimestres. Por isso, o IBC-Br indica que o mais seguro é projetar uma variação pequena, positiva ou negativa, para o PIB do primeiro trimestre. O IBGE divulgará o resultado em 30 de maio.

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