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Como é o programa no exterior que recompensa a economia no consumo de água

Realizado na Califórnia e em Marrocos, projeto gera créditos que podem ser abatidos da conta ou vendidos a empresas

 

Compensar com benefícios um uso mais econômico da água em vez de punir quem gasta mais. É essa a proposta de dois programas realizados na Califórnia e no Marrocos.

Criados por um grupo que reúne acadêmicos e representantes da iniciativa privada, os programas são realizados em parceria com empresas distribuidoras de água locais.

De acordo com o projeto, usuários recebem “créditos de conservação de água” (WSCs, na sigla em inglês) conforme sua capacidade de reduzir o consumo. Em Sonoma, na Califórnia, 100 galões (ou 378 litros) equivalem a 1 WSC; em Marrakesh, 1.000 litros correspondem a 1 WSC.

Se um consumidor consegue diminuir seu uso em comparação a um piso estabelecido individualmente, uma “marca d’água”, tem direito a um WSC. O crédito pode então ser abatido a partir da próxima conta. “Marcas d’água” podem ser mudadas conforme a situação, como, por exemplo, em época de estiagem.

WSCs também podem ser vendidas por usuários a empresas e organizações que quiserem compensar um gasto maior de água. O sistema se assemelha ao dos créditos de carbono em que emissões poluentes podem ser compensadas por meio da aquisição desse tipo de título.

Em artigo para o site City Lab, Zachary Burt, especialista em saúde e clima envolvido no projeto, “as WSCs podem refletir o valor maior, social, da água, e WSCs são mais politicamente atraentes de se implementar”. Burt acredita também que o sistema serve como um incentivo para a economia de água.

Punir quem gasta mais

Em algumas cidades brasileiras que enfrentaram escassez de água, uma das soluções tem sido punir financeiramente quem gasta mais água. Em 2016, uma tarifa de 20% de contingência foi adotada na cidade de Fortaleza depois de anos de estiagem. Cada consumidor poderia utilizar até 80% da média de consumo de água total da população. Se passasse, pagaria a tarifa. A medida reduziu em 18% o consumo de água na cidade.

Em 2014, quando o estado de São Paulo enfrentou uma grave crise hídrica, a Sabesp adotou os dois mecanismos: bônus para quem economiza e multa para os gastadores. Dois anos depois, com o abastecimento normalizado, os instrumentos foram abolidos.

Em março de 2018, a empresa anunciou que irá corrigir a conta d’água se houver uma redução muito grande no consumo geral. Segundo a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), a nova regra tem como objetivo “garantir o equilíbrio econômico-financeiro” da empresa.

 

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