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Como é o plano da Costa Rica de eliminar os combustíveis fósseis

Novo presidente anunciou meta de zerar emissões de carbono do transporte público até 2021. Cerca de 99% da eletricidade do país vem de fontes renováveis

     

    A Costa Rica quer se tornar o primeiro país do mundo a zerar suas emissões de carbono. O presidente do país, o ex-jornalista Carlos Alvarado, anunciou o plano durante sua posse, em 9 de maio.

    O novo presidente declarou que a meta é erradicar os combustíveis fósseis até 2021. “A ‘descarbonização’ é a grande tarefa da nossa geração e a Costa Rica deve ser um dos primeiros países no mundo a alcançá-la, se não o primeiro”, afirmou Alvarado em seu pronunciamento.

    A previsão é de que todo o transporte coletivo do país seja movido a energia renovável. Cerca de 99% da eletricidade do país já provém de fontes desse tipo, principalmente usinas hidrelétricas, mas também de geração solar, eólica e biomassa.

    Especialistas alertam que proposta do governo é muito difícil de realizar em poucos anos

    Em 2017, a rede elétrica do país de 5 milhões de habitantes foi alimentada por fontes renováveis durante 300 dias. O discurso oficial ambientalista não é novidade no país centro-americano: em 2009, o país já havia sido considerado o “mais verde” do mundo segundo ranking do centro de estudos britânico New Economics Foundation (NEF).

    Em dezembro de 2017, o poder legislativo do país aprovou uma lei que concede benefícios fiscais para veículos movidos a eletricidade. Segundo distribuidores, a medida deveria reduzir em muito o preço dos modelos.

    Os obstáculos

    “Uma proposta como esta precisa ser vista por seu valor retórico e não por sua precisão técnica”, afirmou o especialista em energia costarriquenho José Daniel Lara ao jornal britânico The Independent. Ele considera a proposta muito difícil de realizar em poucos anos.

    Dados oficiais do país indicam um aumento no número de veículos movidos a gasolina e diesel nos últimos anos. Em 2015, a indústria automobilística do país cresceu cerca de 25%, uma das maiores taxas da América Latina. A infra-estrutura de transporte coletivo do país é insuficiente para atender a demanda da população.

    “É preciso mais cautela”, advertiu Oscar Echeverria, presidente de uma associação de importadores de veículos do país, que não fabrica carros em seu território. “Se não há infraestrutura prévia, competência, preços acessíveis e gerenciamento de lixo, será um processo destinado ao fracasso.”

    Outro possível entrave seria o fato de que cerca de 22% das receitas do governo vêm de impostos sobre combustíveis fósseis.

     

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