O que explica a alta do petróleo. E qual o reflexo no Brasil

Em menos de um ano, produto acumula valorização de mais de 50%. No início de 2016, valor do barril era menos da metade da cotação atual

     

    O preço do barril de petróleo ultrapassou na terça-feira (9) os US$ 75, marca que não era atingida desde o final de 2014. Foi mais uma barreira quebrada pela commodity mais comercializada do mundo.

    Em menos de um ano, o petróleo acumula uma alta de mais de 50%. Se voltarmos ao início de 2016, dois anos e meio atrás, o valor do barril era menos da metade da cotação atual. As oscilações no preço do petróleo foram marcantes nos últimos 15 anos.

    A alta recente se intensificou nos últimos três meses. Em fevereiro, um barril valia US$ 62, 21% menos que a cotação do dia 8 de maio.

    Variação recente

     

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) de manter os preços artificialmente altos. No Twitter, Trump disse ainda que isso não seria aceito.

     

    Por trás da alta, estão tensões internacionais, políticas e econômicas - algumas protagonizadas pelo próprio Trump.

    Falando de economia, a lógica que motiva a volatilidade dos preços é a variação no receio que países e empresas têm de que haja menos petróleo disponível no curto prazo.

    Duas causas

    Sem acordo com Irã

    A maior cotação do petróleo até o momento foi registrada um dia depois de Donald Trump anunciar a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear firmado com o Irã (membro da Opep) durante a gestão de Barack Obama. Sem o acordo, os EUA se colocam em posição de impor sanções comerciais ao nono maior exportador de petróleo do mundo por causa do programa nuclear. As sanções criam barreiras para empresas que querem comprar petróleo do Irã, mesmo quando elas não são americanas.

    Crise política na Venezuela

    Em grave turbulência política e econômica, o país (membro da Opep) tem tido dificuldades para produzir petróleo, o principal ativo econômico do país.  A Venezuela foi a sexta maior exportadora do mundo em 2015. A produção venezuelana atingiu, em janeiro, o menor patamar em 28 anos.

    As eleições presidenciais no país , marcadas para 20 de maio, são outro motivo de tensão. Trump ameaçou impor novas sanções à Venezuela caso constate que houve manipulação do processo eleitoral. As sanções seriam mais uma pressão para a alta do petróleo.

    Pressão sobre inflação. Mas bom para a Petrobras

    A nova política de preços da Petrobras, implantada no governo Michel Temer, estabelece que a tarifa da gasolina vendida no mercado interno vai oscilar conforme variar a cotação do barril de petróleo no mercado internacional. Assim, quanto mais caro o barril de petróleo no mercado, mais caro tendem a ficar os combustíveis no posto.

    Um efeito imediato disso é uma pressão na inflação, que está baixa. O contágio pode vir de várias maneiras. O mais direto é por meio do peso que os combustíveis têm no índice de inflação, mas há outros. Como a economia brasileira é muito dependente do transporte rodoviário, um aumento nos combustíveis pode ser repassado para qualquer produto que é transportado de caminhão, aumentando o preço para o consumidor e impactando a inflação.

    Além da Lava Jato, a maior estatal brasileira teve sérios problemas financeiros por dois motivos. O primeiro foi a política de preços de Dilma Rousseff (que segurava repasses ao consumidor), o outro foi a queda do petróleo no mercado internacional.

    Como a política de preços mudou e o petróleo está em alta, a empresa de capital aberto, mas com controle estatal, é a principal beneficiada no Brasil, já que passa a capitalizar os ganhos com a venda do produto.

    O histórico do preço do petróleo

    A oscilação no preço do barril do petróleo é comum. A matéria prima é produzida em larga escala por um grupo relativamente pequeno de países, mas consumida por todos. Assim, qualquer tensão política envolvendo os exportadores tem efeito direto no mercado.

    Nos últimos dez anos, a cotação já variou entre US$ 28 e US$ 146.  O preço máximo foi alcançado poucos meses antes da crise financeira internacional em 2008.

    Variação ao longo dos anos

     

    Dois momentos brasileiros

    Gasolina com preço baixo

    Entre 2011 e 2014, o barril de petróleo esteve quase sempre acima dos US$ 100. No período, preocupado com a inflação, o governo brasileiro definiu que a Petrobras deveria controlar as tarifas dos combustíveis no mercado interno. Os preços praticados no governo Dilma Rousseff, abaixo do mercado internacional, geraram prejuízos à empresa

    Queda das commodities e crise

    No final de 2014, há uma queda brusca dos preços do petróleo no mercado internacional. O mesmo acontece com a maioria das commodities (produtos de baixo valor agregado). O período de queda de preço de alguns dos principais produtos de exportação brasileiros coincide com o início da crise econômica no Brasil e causa problemas ao país.

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