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Como é o novo mapa tectônico da América do Sul, agora disponível on-line

Banco de dados coordenado por especialistas da USP e da Universidade de Buenos Aires oferece informações sobre como as rochas da superfície do continente evoluíram ao longo do tempo

 

Quanto mais próximo dos limites de placas tectônicas está um país, maior sua chance de sofrer com atividades sísmicas. Isso explica a baixa incidência de abalos intensos no Brasil, que está no centro da placa Sul-Americana - uma das 55 porções rochosas que recobrem a superfície do planeta.

A posição privilegiada, no entanto, não exclui a existência de movimentos subterrâneos constantes. Desde o início de 2018, o Brasil presenciou 74 tremores originados dentro de seu próprio território, segundo dados do Observatório Sismológico da UnB (Universidade de Brasília).

Até agora, o sismo mais severo aconteceu no dia 15 de março, em Tarauacá, no Acre, e atingiu 4,6 graus. Na escala Richter, 1 grau de diferença entre tremores corresponde a um efeito dez vezes maior ou menor.

A 381 km da capital Rio Branco, Tarauacá é uma região com histórico recente de abalos sísmicos. Um tremor de 2,6 graus foi registrado em outubro de 2017; outro, do fim de 2015, chegou aos 5,1 e no mais forte deles, de abril de 2014, o impacto alcançou 5,2 graus na escala Richter.

Em relação à incidência de tremores, porém, nenhuma outra parte do Brasil se compara à cidade de Montes Claros, no norte mineiro. São 97 eventos registrados só nos últimos 10 anos.

Após avaliação, sismólogos detectaram a existência de uma falha geológica no local. Em trabalhos de identificação desse tipo, um recurso utilizado costuma ser os mapas tectônicos. Além do risco de abalos sísmicos, entender o deslocamento das rochas e minérios dá dimensão dos tipos de paisagens existentes, idades das rochas e características da crosta terrestre.

Após um trabalho de revisão de 13 anos, pesquisadores atualizaram a primeira versão do Mapa Tectônico da América do Sul, desenvolvida em 1971 pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e utilizada por especialistas até então.

A atualização do mapa foi lançada no formato impresso em 2016, durante o Congresso Internacional de Geologia na Cidade do Cabo, na África do Sul. Desde o final de março de 2018, porém, o trabalho pode ser acessado também on-line, no site do CPRM.

O projeto foi coordenado pelos pesquisadores Umberto Cordani, do IGc-USP (Instituto de Geociências da USP), e Victor Ramos, da Universidade de Buenos Aires (UBA).

 “Ao Victor couberam os Andes, e a mim coube a assim denominada Plataforma Sul-Americana”, disse Cordani, em entrevista ao Jornal da USP. Com a colaboração de cientistas latino-americanos de vários países, o trabalho realizou a interpretação e datação de rochas de toda a América do Sul.

O mapa foi elaborado em escala 1:5.000.000, o que significa dizer que as distâncias retratadas no esquema são 5 milhões de vezes menores que na vida real, e sintetiza os conhecimentos atuais sobre evolução tectônica do continente sul-americano.

Na legenda, há indicações da natureza das rochas (se magmática ou sedimentar, por exemplo) e dos períodos geológicos em que as formações rochosas de cada região da América do Sul se formaram. Há desde exemplares do arqueano, com idade estimada em 2,8 bilhões de anos, até rochas da era cenozoica, formadas há 65 milhões atrás. Constam também informações como a presença de vulcões ativos e a ocorrência de falhas geológicas.

Espera-se que o esquema possa servir para consulta e análise de informações, além de motivarem novos mapas. “O mapa oferecido para a comunidade pode servir para pessoas ou empresas fazerem exploração mineral, por exemplo, ou para ensino de geologia nas universidades, ou mesmo planejamento para organização de espaço”, completa Cordani.

ESTAVA ERRADO: Uma versão anterior deste texto dizia que a escala utilizada no mapa tectônico é 5 milhões de vezes maior que a original. Na verdade, as distâncias em questão são 5 milhões de vezes menores na representação geográfica. Ou seja, um centímetro do mapa representa 5 milhões de centímetros em escala real. Além disso, foi corrigida a informação sobre as formações rochosas com até 65 milhões de anos encontradas em território brasileiro. Elas datam da era cenozoica, classificação mais generalista que o período quaternário, como o texto afirmava anteriormente. As alterações foiram feitas às 19h19 do dia 21 de junho de 2018.

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