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Por que a União Europeia proibiu 3 agrotóxicos neonicotinoides

Trabalhos científicos vinham apontando que substâncias, fabricadas principalmente por Syngenta e Bayer, são responsáveis pela morte de abelhas

Em março, cientistas da Unidade de Pesticidas da EFSA (sigla em inglês para Autoridade Europeia para Segurança dos Alimentos) da União Europeia divulgaram o resultado de uma ampla análise com mais de 1.500 artigos científicos sobre os efeitos de uma categoria de agrotóxicos chamada “neonicotinoides” sobre populações de abelhas.

A pesquisa focou em três neonicotinoides fabricados pelas companhias Syngenta e Bayer: clotianidina, imidaloprid e tiametoxam. Os neonicotinoides se integram aos tecidos das plantas e são danosos para os insetos, quando esses consomem os tecidos. A conclusão da pesquisa foi de que essas substâncias trazem riscos inclusive para as abelhas.

Elas são expostas a pólen e néctar contaminados quando entram em contato com plantações que passaram pela aplicação do inseticida, ou quando vão a áreas contaminadas em seu entorno. A análise também concluiu que a substância pode persistir no solo, agindo sobre gerações de plantas e abelhas.

A ampla análise buscou dar fim a uma disputa entre as produtoras dessas substâncias e entidades contrárias a sua circulação.

Ela foi remetida para a Comissão Europeia, que analisava desde 2017, uma proposta para que a substância fosse restrita a uso em estufas e proibida em ambientes abertos como forma de proteger as populações de abelha, que estão em franco declínio.

Na sexta-feira (27), a Comissão Europeia decidiu efetivamente banir o agrotóxico da União Europeia. Segundo a decisão: “todo o uso em ambientes abertos será banido, e os neonicotinoides em questão serão permitidos apenas em estufas permanentes onde não se espera a exposição das abelhas”.

Os neonicotinoides no Brasil

O principal relatório do governo brasileiro para acompanhar a presença de agrotóxicos nos alimentos no país é o Para (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos), produzido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Publicado em 2016, o relatório mais recente analisou amostras de 9.680 alimentos, como fubá, farinha de trigo, abacaxi, banana, laranja, entre outros, coletadas entre 2013 e 2015. Traços de agrotóxicos do grupo dos neonicotinoides estiveram entre os mais encontrados, ao lado dos grupos de benzimidazóis, triazóis e organofosforados.

Foram encontrados traços de neonicotinoides em 2.401 das amostras, sendo que em 339 delas havia níveis irregulares da substância. Isso significa que foram identificadas quantidades de agrotóxico acima do limite máximo permitido, além de sua presença em gêneros para os quais o uso da substância não é autorizado.

RESÍDUOS EM 9.680 AMOSTRAS

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