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O aplicativo que unirá o audiovisual brasileiro feito por mulheres

Criada por pesquisadora, base de dados de obras deve estar disponível até julho de 2018

    Aberto para colaborações até o dia 30 de abril, o formulário presente no site do projeto A CineastA convida qualquer pessoa a cadastrar produções audiovisuais nacionais dirigidas ou codirigidas por mulheres.

    Valem curtas, médias e longas-metragens, programas de TV e feitos para plataformas de vídeo sob demanda, ficções seriadas também produzidas para ambos os meios, webséries e videoclipes.

    Como em um IMDb de mulheres, as produções constarão no aplicativo, que será gratuito, com ficha técnica, dados sobre a equipe, links para trailer ou sites nos quais estejam disponíveis legalmente.

    O projeto, que já conta com cerca de 400 obras cadastradas, boa parte voluntariamente, é financiado pelo edital App Cultura, do Ministério da Cultura, e foi criado pela pesquisadora Ana Heloiza Pessotto, doutoranda em mídia e tecnologia da Unesp.

    Encerradas as colaborações, o trabalho passa para a fase seguinte, de avaliar se os dados submetidos estão corretos. A entrega do projeto ao ministério está marcada para o final de maio e Pessotto estima que o app deve estar disponível para download até julho.

    O objetivo é ampliar e facilitar o acesso do público a essas produções. Além de espectadores em geral, o catálogo também deve ser útil para produtores, pesquisadores, professores, formuladores de política pública e investidores que querem conhecer melhor os produtos audiovisuais brasileiros.

    Origem da iniciativa

    Em sua pesquisa de mestrado, a criadora d’A CineastA avaliou se os princípios da Lei da TV Paga, de 2011, destinada a estimular a difusão de conteúdo audiovisual brasileiro regional, diverso e independente, estavam sendo cumpridos.

    Foto: Reprodução/catálogo da Retrospectiva Helena Solberg no CCBB
    A cineasta brasileira Helena Solberg durante as filmagens de seu filme 'Double Day', no México, em 1973
     

    Constatou que, entre 2012 e 2014, nos canais de entretenimento da TV paga, uma porcentagem muito baixa dos longas mais reprisados e de séries brasileiras de ficção era dirigida por mulheres. Essa percepção foi o embrião do projeto.

    “As pessoas estão produzindo. O problema é o acesso, o conhecimento [da existência das obras]”, disse Pessotto ao Nexo. “Agora, quem diz ‘não vi nenhum filme de mulher porque não tem onde procurar’, vai ter.”

    Pessotto falou sobre a dificuldade frequente de encontrar o crédito de quem desempenhou determinada função em um vídeo ou filme. Para ela, o processo de catalogação é uma forma de valorizar o trabalho dessas profissionais.

    Quando finalizado, a ideia é que seja um aplicativo exploratório e de pesquisa. Será possível buscar uma tag, o nome de uma diretora, uma região do Brasil, ou filmes que contem com uma mulher à frente da direção de fotografia, por exemplo. Segundo Pessotto, ele também irá gerar indicações aleatórias e terá sempre uma “vitrine” de obras em destaque.

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