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Como a tecnologia ‘repôs’ quadros roubados deste museu

Aplicativo de realidade aumentada quer permitir que visitantes do Isabella Stewart Gardner, nos Estados Unidos, vejam obras furtadas in loco

    Em março de 1990, os Estados Unidos vivenciaram o que é considerado o principal roubo de arte de sua história. Durante a madrugada do dia 18, uma dupla de ladrões trajados como se fossem policiais invadiu o Isabella Stewart Gardner, importante museu de Boston, e rendeu os dois seguranças de plantão. Depois disso, os intrusos se viram livres para usar estiletes e recortar 13 obras do acervo permanente de suas respectivas molduras.

    Todo o processo durou cerca de 81 minutos. O prejuízo, porém, é estimado em cerca de US$ 500 milhões: quadros assinados por Rembrandt e Vermeer, ícones do movimento barroco holandês, além de obras de Degas e Manet, estavam entre os itens furtados. A lista completa de obras desaparecidas pode ser consultada neste link.

    O crime é investigado pelo FBI até hoje, mas permanece sem solução. Como forma de estimular o recebimento de informações que permitam a recuperação das obras em bom estado, aumentou-se recentemente a recompensa de US$ 5 milhões para US$ 10 milhões.

    Apesar do tom trágico da escolha, a direção do museu optou por deixar as molduras originais na parede, “como símbolos da esperança de seu retorno [das obras]”, defendem, em seu site oficial. Quem não pode fazer uma visita a Boston pode ver os espaços vazios das paredes da galeria neste tour virtual.

    Em homenagem ao último aniversário do incidente, uma start-up de tecnologia para museus baseada em Boston resolveu investir em uma forma de novos visitantes terem uma ideia do que havia no ambiente 28 anos antes.

    A proposta do aplicativo “Hacking the Heist” (hackeando o roubo, em tradução livre), desenvolvido pela Cuseum, é bem simples: recolocar as obras furtadas de volta às paredes da galeria. Para visualizar as pinturas em sua posição original exata, basta que o usuário mire seu smartphone nas molduras originais. A inteligência artificial é capaz de reconhecer as bordas do quadro e preenchê-las com seu conteúdo artístico.

     

    “Depois de várias visitas ao museu, percebemos que muitos visitantes nem mesmo sabiam do famoso roubo, ou, se sabiam, não tinham a menor ideia de como eram as pinturas”, disse Brendan Ciecko, fundador da Cuseum, em entrevista ao Nexo.

    O app foi desenvolvido na plataforma ARKit, criada pela Apple para experimentos em realidade aumentada. A tecnologia, que combina elementos virtuais que dividem espaço com imagens reais, permitiu que duas pinturas de Rembrandt, “Tempestade no Mar da Galileia” e “A Lady and Gentleman in Black” fossem recriadas. Apesar de não contar com o apoio oficial do museu, espera-se que, no futuro, o Hacking the Heist funcione também com as demais obras furtadas.

    Ao menos por enquanto, o aplicativo ainda não foi liberado para uso dos frequentadores do museu. De acordo com o site Engadget, a empresa espera pela versão 11.3 do sistema iOS, que consegue reproduzir o tipo de realidade aumentada utilizado. O lançamento da atualização é aguardado para o primeiro semestre de 2018. “Esperamos que esse projeto estimule as pessoas a pensar no quanto a tecnologia pode ser usada no acesso à cultura”, completa Ciecko.

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