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O que é a guerra comercial entre EUA e China

Presidente americano retalia o que chama de roubo de propriedade intelectual e coloca as duas maiores economias do mundo em disputa

 

As duas maiores economias do mundo começaram uma disputa que pode se tornar a maior guerra comercial das últimas décadas. Os governos de Estados Unidos e China, que nos últimos meses vêm trocando ameaças comerciais, começaram a agir.

O capítulo mais recente dessa batalha começou na quinta-feira, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifas a produtos chineses e definiu o limite para taxação. O estipulado é que, dos quase US$ 600 bilhões que a China vende aos Estados Unidos, US$ 60 bilhões sejam taxados. A alíquota seria de 25%.

Ao assinar o documento, em frente à imprensa, o presidente americano repetiu que aquele era "o primeiro de muitos".

“Não vamos mais deixar que outros países tirem vantagem dos Estados Unidos”

Donald Trump

presidente dos Estados Unidos

Durante a cerimônia, Trump reclamou do déficit comercial dos Estados Unidos com outros países que, segundo ele, chega a US$ 800 bilhões anuais - mais da metade graças à China. O governo divulgou uma pré-lista de 1300 categorias de produtos que podem ter maior taxação, mas ainda não definiu exatamente que produtos serão sobretaxados.

O que dizem

Estados Unidos

O governo americano alega que o governo chinês está roubando tecnologia. A apropriação estaria sendo feita da seguinte maneira: empresas chinesas controladas pelo governo compram sistematicamente fatias de empresas americanas para terem acesso aos métodos de produção, e depois os reproduzem. O Departamento de Comércio também acusa o governo chinês de dificultar a entrada das empresas americanas no país, impondo regras mais rígidas.

China

O governo chinês acusou Donald Trump de estar praticando um ato unilateral de protecionismo e fez ameaças. O país cogita fazer uma reclamação formal à Organização Mundial do Comércio e divulgou que também pode sobretaxar produtos americanos.

Em 2016, segundo dados do International Trade Centre, os Estados Unidos importaram cerca de US$ 481 bilhões de dólares da China. Isso é mais de 20% de tudo que a China vende para o mundo.

Por outro lado, a China compra dos Estados Unidos menos de um terço desse valor: US$ 135 bilhões. As vendas dos americanos para os chineses são menos de 10% do que a maior economia da Ásia importa.

Trump argumenta que a prática pode impedir que trabalhadores americanos sejam remunerados de maneira justa por suas inovações, uma vez que a China as consegue sem custos. Qualquer mudança em uma relação de comércio dessa magnitude pode afetar inúmeras empresas e investidores.

O porta-voz da Organização Mundial do Comércio, Fernando Puchol, disse que a instituição "está monitorando a situação que, neste momento, ainda é muito fluida".

Impacto nos mercados

Ao longo dos últimos dias, os investidores do mercado de capitais foram percebendo que aumentava o risco de uma guerra comercial entre os dois países. Esse temor se refletiu na bolsa de valores.

Na semana do anúncio, os três principais índices da bolsa americana - Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 - caíram mais de 5% cada. Só na sexta-feira (23), o Dow Jones caiu 2,9%. No Brasil, o Índice Bovespa caiu menos, 0,46% na sexta.

Negociações sigilosas

Publicamente, o discurso de ambos os lados foi marcado por ameaças crescentes, mas os dois governo já negociam para evitar uma guerra prejudicial a ambos. Segundo a agência de notícias Dow Jones, as conversas partiram dos Estados Unidos. Pouco depois de Trump ter assinado o decreto, representantes do governo americano teriam enviado uma lista de pedidos específicos ao governo chinês.

O responsável por receber a lista foi o principal conselheiro econômico do presidente Xi Jinping, Liu He.

A origem no aço

No início de março, Trump fez seu primeiro grande movimento protecionista ao anunciar que aumentaria a taxação sobre as importações de aço e alumínio. Na ocasião, o governo argumentou que o incentivo à produção local era também uma questão de segurança nacional - a ideia era evitar que o país se tornasse dependente da matéria prima importada.

No caso do aço, a taxação inicial foi seguida de uma série de negociações individuais com os países que vendem os produtos aos Estados Unidos. O Brasil, segundo país que mais vende aço ao mercado americano, por exemplo, conseguiu na sexta-feira (23) a suspensão da cobrança. A isenção, no entanto, é temporária.

As medidas protecionistas são parte das propostas de política econômica que levaram Trump à Casa Branca. Ele venceu as eleições defendendo que os americanos estavam perdendo postos de trabalho para outros países e prometendo restrições às importações. O republicano quer incentivar a produção interna.

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