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Como Temer se refere ao golpe de 64 e à vontade popular

Nestes dois discursos, presidente atribui rupturas ao apreço do brasileiro por ‘centralismo’ e por ‘autoritarismo’

     

    Nos últimos quatro meses, o presidente Michel Temer fez discursos públicos no qual expressou seu ponto de vista a respeito do golpe de 1964 e da ditadura subsequente, que durou até 1985.

    Em 15 de novembro de 2017, numa cerimônia na cidade de Itu, no interior paulista, e, em seguida, nesta segunda-feira (26), em um evento em São Paulo, que Temer abordou o assunto.

    Nas duas ocasiões, propôs uma leitura da história brasileira construída a partir da ideia de que as rupturas na ordem democrática são manifestações da vontade popular.

    Em ambos discursos, ele se referiu ao que seria um desejo reiterado dos brasileiros por uma centralização cada vez maior do poder, e até mesmo por um apreço pelo “autoritarismo”.

    Novembro de 2017

    O que Temer disse

    “Nossa tendência é sempre caminhar para os autoritarismos”, disse Temer, usando o plural majestático – que é quando o orador fala em nome do coletivo, interpretando o que, segundo ele, seria a vontade dos demais. “A nossa vocação centralizadora e, convenhamos, quando os movimentos centralizadores ocorrem, não por um … simplesmente um golpe de Estado, é porque o povo também quer, acaba desejando, no fundo é isso (...) Nós temos uma certa, digamos, uma certa tendência para centralização.”

    Quando isso foi dito

    O discurso foi feito em Itu, interior de São Paulo, em 15 de novembro de 2017, em cerimônia que celebrava o aniversário da República, proclamada em 15 de novembro de 1889, naquela mesma cidade.

    Qual o contexto político

    Apenas um mês antes do discurso, Temer havia conseguido barrar no Congresso a segunda denúncia da qual era alvo no caso JBS. O momento era de mostrar força para tentar seguir adiante, no Congresso, com um pacote de reformas como a da Previdência.

    Março de 2018

    O que Temer disse

    “Em 64 novamente o povo se regozijou, porque, novamente, uma centralização absoluta do poder que, mais uma vez, durou de 64 a 88. É interessante quando se diz ‘ah, mas não houve golpe de Estado. Houve um desejo de centralização’. A ideia do povo era de que deveria haver uma concentração do poder, como houve nesse período todo.”

    Quando isso foi dito

    Em encontro com empresários e políticos, na sede da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), em São Paulo, na segunda-feira (26).

    Qual o contexto político

    A declaração foi dada pouco mais de um mês depois de o presidente ter decretado a primeira intervenção federal em um estado brasileiro, o Rio de Janeiro, desde a promulgação da Constituição de 1988, e poucos dias depois de ter dito que pretende de fato disputar um novo mandato nas eleições presidenciais de outubro.

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