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Como Macron se equilibra entre protestos de rua e a Assembleia

Presidente francês enfrenta sua primeira greve geral, apostando na maioria parlamentar para manter reformas liberais no caminho

     

    Mais de 300 mil manifestantes saíram às ruas de diversas cidades francesas na quinta-feira (22) para protestar contra um pacote de reformas trabalhistas e previdenciárias promovidas pelo governo do presidente Emmanuel Macron.

    Em Paris, houve confrontos com a polícia, que lançou jatos d’água e bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Essa é a primeira vez que Macron enfrenta uma greve geral, desde que tomou posse, em 14 de maio de 2017.

    A imprensa francesa trata a greve e os protestos desta quinta-feira (22) como um marco para Macron. Ele foi escolhido presidente no dia 7 de maio de 2017, com 65% votos, numa eleição que teve comparecimento superior a 74% (num país onde o voto não é obrigatório).

    Esses altos percentuais fizeram parecer que Macron era um presidente extremamente popular. Mas não é bem assim. No segundo turno, muitos eleitores - incluindo setores da esquerda - apoiaram Macron apenas para evitar que Marine Le Pen, do partido de ultradireita Front Nacional, chegasse ao poder.

    Agora, quase um ano após a disputa eleitoral, começam a emergir as divisões que tornam o terreno movediço para um presidente jovem, de 40 anos, que faz de sua propagandeada inexperiência política um trunfo.

    “A autoridade de Macron é desafiada pelos sindicatos”, dizia a manchete do jornal francês Le Figaro. “Ninguém sabe quando esse movimento vai terminar e quem será o vencedor”, completava a publicação.

    A pressão das ruas, no entanto, é amenizada pelo amplo apoio parlamentar que Macron garantiu na Assembleia Nacional (o equivalente francês à Câmara dos Deputados).

    É sobre esses dois polos que o presidente da França deverá se equilibrar ao longo dos próximos meses, quando estão programadas centenas de manifestações sindicais por todo o país.

    Equilíbrio

    Pressão das ruas

    Macron é pressionado pelas sete maiores centrais sindicais da França, lideradas principalmente pelos trabalhadores do setor ferroviário, que são muito mobilizados e fortes. Há uma ameaça de greve a partir de abril, programada para ocorrer por dois dias da semana, toda semana, ao longo de todo o mês. Nesta quinta-feira, foi dado um exemplo do impacto: 30% dos voos que passam sobre Paris foram cancelados e 13% das escolas foram fechadas.

    Apoio no Congresso

    Por outro lado, Macron tem 60% da Assembleia Nacional nas mãos. Essa foi a grande conquista do partido dele, o En Marche!, nas eleições parlamentares de junho de 2017. O perfil do parlamento é de políticos aliados jovens como ele mesmo: na legislatura atual, três quartos dos parlamentares franceses são estreantes. Um terço nunca teve outro cargo público na vida. E 38 têm menos de 31 anos.

    Menções ao Maio de 1968

    As manifestações e greves na França ocorrem no cinquentenário dos grandes protestos de maio de 1968, movimento liderado por estudantes, que marcou uma geração e se espalhou pelo mundo pregando a reforma de costumes, da moral e de da política.

    O fato foi lembrado por manifestantes daquela geração e por jovens que saíram às ruas agora na quinta-feira (22).

    A emissora francesa RFI (Rádio França Internacional) colheu diversas frases em cartazes de manifestantes que faziam alusão ao cinquentenário, como: “Greve geral, sonho geral #68” e “Aposentados em marcha contra Macron. Nós fizemos maio de 68, podemos fazer maio de 2018.”

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