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Como uma ‘coleção de cérebros’ auxilia no estudo dos distúrbios alimentares

Banco da universidade de Harvard é o primeiro dos Estados Unidos inteiramente dedicado ao estudo desse tipo de doença

     

    Um banco de cérebros armazenado pela universidade de Harvard, nos Estados Unidos, servirá de recurso para pesquisadores de todo o mundo que queiram se debruçar sobre alterações estruturais e nas conexões cerebrais de pessoas com distúrbios alimentares.

    O objetivo é identificar o impacto desse tipo de doença no cérebro, suas causas, e avançar no tratamento.

    Anunciado no final de fevereiro de 2018, trata-se do primeiro e, até o momento, do único banco de cérebros dos EUA dedicado à pesquisa desse tipo de doença. Sua criação é fruto de uma parceria da universidade com a Fundação pela Pesquisa e Educação em Transtornos Alimentares.

    O banco fará parte do “Harvard Brain Tissue Resource Center” (HBTRC), localizado no Hospital McLean, instituição  psiquiátrica de Massachusetts, nos EUA, e ainda está no estágio inicial de desenvolvimento. 

    O HBTRC já conta com alguns milhares de cérebros que pertenceram a pessoas portadoras de autismo, esquizofrenia e outras patologias neurológicas e psicológicas, assim como cérebros de pessoas saudáveis, para estabelecer comparação.

    Segundo uma reportagem da rede pública americana NPR, a manutenção de bancos como esse é muito cara.

    Eles levam anos, além disso, para coletar uma quantidade de cérebros suficientes para servir de estudo. Muitos doadores registram a permissão para que seu cérebro se torne parte do banco décadas antes de morrer.

    Os transtornos

    Doenças como a anorexia e a bulimia nervosas são classificadas também, por vezes, como transtornos mentais. Ainda sim, não está claro o que acontece no cérebro de quem as têm.

    Isso faz com que esse tipo de transtorno seja difícil de tratar e tenha um alto índice de morbidade, segundo um relatório do Programa de Transtornos Alimentares (Ambulim) da Faculdade de Medicina da USP. 

    No Brasil, de 0,5% a 1% das mulheres sofre de anorexia, e 1% a 2% da população feminina de bulimia, disse o psiquiatra Táki Cordás, coordenador do Ambulim, para a Folha de S. Paulo em 2017. A compulsão alimentar atinge cerca de 3% da população.

    Como a iniciativa pode ajudar

    Após a morte, é possível detectar e examinar mudanças celulares nos tecidos com muito mais detalhes, disse o diretor da Fundação pela Pesquisa e Educação em Transtornos Alimentares, Kevin McNaught, à NPR.

    Áreas específicas dos tecidos cerebrais poderão ser observadas pelos pesquisadores a nível microscópico, permitindo encontrar mudanças que não podem ser vistas em exames cerebrais de uma pessoa viva.

    A diretora científica do banco de Harvard, Sabina Berretta, disse estar confiante de que diferenças entre os cérebros de pessoas portadoras de transtornos alimentares e pessoas saudáveis serão detectadas. No caso da anorexia nervosa, segundo ela, alterações podem decorrer da desnutrição.

     

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