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Como proteger sua conta no Facebook para evitar coleta e uso indevidos

Saiba o que fazer para impedir a coleta de dados como a que foi feita pela empresa britânica Cambridge Analytica

    O recente escândalo envolvendo a empresa britânica de inteligência e propaganda Cambridge Analytica mandou um sinal de alerta a todos que se preocupam com seus próprios dados pessoais. De acordo com as reportagens feitas pelo jornal Observer of London (ligado ao britânico The Guardian), em parceria com o The New York Times e o Channel 4, é possível que 50 milhões de perfis no Facebook tenham tido suas informações coletadas indevidamente.

    Na tentativa de formar o perfil “psicográfico” do maior número de americanos possível tendo em vista as eleições de 2016, a empresa fez uso de um aplicativo de questionário chamado “thisismydigitallife”. Para funcionar, ele exigia acesso ao perfil do usuário e ao de seus amigos.

    O número exato de usuários que participaram da pesquisa varia de 270 mil (via Facebook) a 320 mil (número revelado pelo ex-funcionário da Cambridge Analytica, Chritopher Wylie). Em média, de acordo com Wylie, cada usuário na rede conta com 160 contatos. Dessa forma, o número total de contas afetadas pode variar de 43,2 milhões a 51,2 milhões.

    A matemática toda acima leva a uma outra consideração importante: para cada um usuário que sabia que seus dados estavam sendo coletados pela empresa para uma suposta pesquisa e consentiram, há 160 contas de pessoas que não fizeram tal autorização, nem sequer suspeitam que suas informações tenham sido coletadas.

    De acordo com comunicado do Facebook, esse tipo de coleta não seria permitida atualmente pelas políticas da rede social.

    “Em 2014 (...) fizemos uma atualização para garantir que cada pessoa decida que informação elas querem compartilhar sobre si mesmas, incluindo sua lista de amigos”, diz. “Antes de decidir usar um aplicativo, você pode revisar as permissões que o desenvolvedor solicita e escolher quais informações quer compartilhar.”

    A empresa reforçou que a permissão ao aplicativo foi dada pois o pesquisador Aleksandr Kogan, contratado pela Cambridge Analytica, alegou que a sua finalidade era acadêmica. Mas “nenhum sistema foi infiltrado, nenhuma senha ou partes de informações sensíveis foram roubadas ou hackeadas”.

    “Quando soubemos da violação em 2015, nós removemos o aplicativo do Facebook e exigimos certificações de Kogan e de todas as partes a quem ele entregou os dados de que a informação havia sido destruída”, diz o Facebook. Ela acrescentou ter contratado uma empresa de auditoria para checar se a exclusão dos dados realmente foi feita.

    Por ora, como consequência do caso, o diretor de segurança do Facebook anunciou que deve deixar a empresa até agosto. Além dele, o fundador e atual presidente da rede social, Mark Zuckeberg, foi chamado para depor em audiência pelo Parlamento britânico.

    Como se proteger

    Embora a maioria das contas relacionadas ao esquema da Cambridge Analytica sejam de eleitores americanos, talvez agora seja um bom momento de revisar as configurações relacionadas a seus dados pessoais e privacidade no Facebook para se proteger e evitar que empresas estejam usando esses dados sem o seu conhecimento.

    Aplicativos se ligam ao Facebook por meio da sua API (sigla em inglês para “interface de programação de aplicações”). Isso é útil para as empresas de desenvolvimento que querem permitir que um usuário do seu aplicativo, como um jogo, possa convidar e se relacionar com seus amigos do Facebook. Muitos ainda usam o vínculo para servir de opção de login para um usuário no aplicativo.

    Para esse vínculo acontecer, o Facebook precisa verificar se as solicitações do aplicativo estão de acordo com suas políticas e, assim, autorizá-lo ou não.

    O passo seguinte é o usuário se mostrar de acordo, ou não, com as solicitações de acesso do aplicativo. Elas podem envolver coisas como acesso às suas informações básica de perfil (nome, data de nascimento, gênero e endereço), sua lista de contatos, de páginas e filmes que curtiu, ou até suas fotos, sua localização em tempo real ou a possibilidade de publicar na sua página.

    Esse acesso, uma vez autorizado, pode ser revisado nas configurações de aplicativos do Facebook. No desktop, o caminho é abrir o menu (indicado por uma seta no canto superior direito), em seguida clicar em “Aplicativos”. No mobile, o usuário deve abrir o menu (indicado por um ícone de três barras horizontais no canto inferior direito), ir em “Configurações”, “Configurações da conta” e “Aplicativos”.

    Nesta tela, é possível editar qual informação está sendo entregue a cada um dos aplicativos conectados com o Facebook, ou simplesmente remover o acesso do aplicativo às suas informações de uma vez.

    Neste menu, há também a opção de acabar com a chance de sua conta ser acessada por “Aplicativos, sites e plug-ins”.

    Essa opção pode estar “ativada” ou “desativada”. O Facebook explica: “Se você desativar a plataforma, não poderá usar as integrações do Facebook em aplicativos ou sites de terceiros. Se desejar usar esses aplicativos e sites com o Facebook, ative a plataforma novamente”.

    Logo abaixo, há uma caixa com a opção de selecionar que tipo de informação pessoal aplicativos usados por terceiros podem “levar” (termo usado pelo Facebook) consigo. Diz o texto da rede social: “Pessoas no Facebook que podem ver suas informações podem levá-las ao usar aplicativos. Isso faz com que sua experiência melhore e seja mais social”.

    Ao selecionar “Editar”, é possível optar por não compartilhar dados como informações da sua biografia, data de nascimento, preferência política e religião, “atividades, interesses e coisas” curtidas, cidade que reside ou ainda suas publicações.

     

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