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Por que Google e Facebook proibiram publicidade de criptomoedas

Gigantes da internet impõem nova barreira a moedas digitais, que enfrentam tentativas de regulação por parte de governos em todo o mundo

    O Google anunciou na quarta-feira (14) que vai proibir anúncios de criptomoedas em suas plataformas. A proibição começa a valer em junho e se estenderá também ao YouTube, que pertence ao grupo.

    O anúncio fala em proibição a "produtos financeiros não regulamentados ou especulativos", incluindo as criptomoedas. Mas a proibição é maior. Junto com elas serão banidos também anúncios de métodos não tradicionais de projeção de preços de bolsa e câmbio.

    Segundo Scott Spencer, diretor de publicidade do Google, a mudança é uma melhoria nos métodos de proteção ao cliente. Em um comunicado publicado em um blog oficial da empresa, o Google afirma estar trabalhando para "proteger o ecossistema de anúncios" e evitar novas fraudes que possam surgir a partir da evolução dos métodos de consumo dos internautas.

    “Melhorar a experiência de anúncios na web, removendo anúncios prejudiciais ou anúncios invasivos, continuará a ser uma prioridade máxima para nós”

    Trecho do comunicado

    A política será implantada no AdWords, serviço de publicidade da empresa que é a principal fonte de receita do gigante de buscas. O google não falou, no comunicado, de eventuais perdas de receita com a nova medida.

    A empresa se junta assim ao Facebook, que no final janeiro de 2018 já havia anunciado que não veicularia mais propagandas de moedas digitais. A rede social foi mais enfática ao dizer que proibiria “produtos e serviços financeiros que são associados frequentemente com práticas promocionais enganosas”.

    No Facebook, no entanto, anunciantes encontraram maneiras de driblar a proibição. Uma das estratégias mais simples era mudar a maneira como se escreve o nome da moeda, trocando a letra “o” pelo número “0”, por exemplo e grafando "bltc0ln”.

    A popularização das criptomoedas

    A internet foi o principal meio de valorização e popularização das criptomoedas. O Bitcoin, a mais famosa delas, teve uma valorização de mais de 1000% em 2017.

    Trajetória do Bitcoin

     

    Tamanha valorização aumentou o interesse pelos produtos. Investidores, muitos deles em busca de lucro rápido, correram para o Bitcoin, o que fez crescer o temor de que houvesse uma bolha.

    Outra prova de crescimento são os chamados ICOs - que são leilões de moedas recém-criadas. Em 2017, eles movimentaram US$ 5,6 bilhões, segundo dados da consultoria Token Data publicados pelo jornal Folha de S.Paulo. Eles são, muitas vezes, promovidos por empresas que querem se financiar: recebem dinheiro oficial e dão em troca uma moeda virtual própria.

    As criptomoedas, por sua natureza digital, são uma preocupação para os órgãos responsáveis por regular transações financeiras no mundo. Assim, junto com o sucesso, aumentou também a atenção de governos mundo afora com o tema.

    As barreiras às criptomoedas

    As restrição que agora vêm do Google e do Facebook já existia por parte de órgãos reguladores.

    O governo brasileiro decidiu proibir que fundos de investimento invistam em criptomoeda. A decisão foi tomada em janeiro pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão ligado ao Ministério da Fazenda e que regula o mercado de capitais no Brasil.

    A proibição da CVM foi embasada na constatação de que criptomoedas "não podem ser qualificadas como ativos financeiros". Assim, fundos de investimento que normalmente compram ações e emprestam dinheiro a empresa ficam proibidos de comprar, por exemplo, Bitcoin em busca de valorização.  O órgão acrescentou ainda que há "muitos outros riscos" associados à segurança de investimentos como esse.

    Nos Estados Unidos, a SEC, equivalente à CVM, não proíbe investimentos em criptomoedas, mas fez recentemente um alerta: há risco no investimento e recursos perdidos poderão não ser recuperados.

    O órgão segue tentando maneiras de regular as criptomoedas. No início de março, por exemplo, o órgão definiu que as bolsas que negociam bitcoins e outras moedas digitais terão de ser registradas.

    O que é o bitcoin

    O bitcoin, e grande parte das moedas virtuais, são construídas sobre uma tecnologia chamada blockchain - que dispensa bancos ou qualquer órgão intermediário. Assim, os pagamentos podem ser feitos a qualquer hora, a qualquer distância, sem que órgãos oficiais sejam envolvidos.

    As moedas funcionam com uma gigantesca rede de computadores trabalhando para registrar todas as transações feitas e assim definir quem é o dono do dinheiro naquele momento. Os computadores dessa rede não trabalham de graça, recebem, por exemplo, em bitcoins.

    A diferença para as modalidades de pagamento eletrônico convencionais, como os cartões, é que o processamento da transação é descentralizado. A moeda circula livremente sem burocracias ou taxas pagas a governos.

    A dificuldade de regulação é um dos problemas para órgãos oficiais. Há críticas sobre o uso de criptomoedas para negócios ilegais e questionamentos sobre a segurança dos sistemas.

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