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Por que o Twitter vai liberar ‘conta verificada’ para todos os usuários

Após protestos, fundador da rede social diz que a empresa não atuará mais como juiz, decidindo quem deve ter o marcador de conta autenticada ou não

     

    Nos últimos anos o Twitter vem dando sinais de dificuldade em lidar com problemas como trolls, assédio e abuso entre usuários da rede ou mesmo de se manter relevante frente à concorrência. Mais recentemente, somou-se a essa lista a preocupação crescente com os danos causados pela disseminação de notícias falsas (ou fake news) por meio das redes sociais.

    Endereçando a questão, a empresa anunciou nesta quinta-feira (8) algumas medidas que buscam proteger seus usuários – e a si mesma –, tornando o ambiente na rede social mais “saudável”.

    Por meio de uma transmissão ao vivo, Jack Dorsey, fundador e atual presidente do Twitter, abriu o debate com usuários da plataforma sobre os principais problemas da rede atualmente. Entre outros temas, Dorsey falou sobre o sistema de verificação de contas, o qual visa garantir ao público que um determinado usuário corresponde de fato à pessoa que ele ou ela diz ser.

    De acordo com ele, a empresa estuda deixar para os próprios usuários o controle sobre quais contas são verificadas ou não. O objetivo, assim, é garantir que o entendimento sobre o marcador de conta verificada mude. Em vez da percepção de que toda conta verificada é confiável, a empresa espera agora que o usuário interprete contas não verificadas como pouco confiáveis.

    Origem do problema

    Desde que foi criada em 2006, a rede permitiu que pessoas se cadastrassem na rede sem a necessidade de que seu usuário contasse com informações que revelassem sua identidade. Como consequência, o Twitter vivia povoado de contas falsas de políticos e celebridades, o que tornava o ambiente pouco confiável e desestimulante para as personalidades reais.

    Em 2009, nasce o sistema de verificação de contas com o objetivo de sinalizar quais são verdadeiras – uma saída mais eficiente do que a alternativa de eliminar todas as contas falsas. Inicialmente, apenas contas de grandes figuras públicas e celebridades ganhavam o selo da rede. Com o passar dos anos, jornalistas e personalidades relevantes também começaram a ser verificados.

    Foto: Reprodução
    Ícone de conta verificada aparece ao lado do nome do fundador do Twitter em sua conta oficial
    Ícone de conta verificada aparece ao lado do nome do fundador do Twitter em sua conta oficial

    Em 2016, visando a alcançar criadores de conteúdo e os chamados “influenciadores”, o Twitter anunciou que qualquer usuário poderia então buscar a rede social e pedir pelo selo de verificação. A medida tirou dos ombros da empresa o papel de identificar contas relevantes passíveis de credenciamento.

    Endosso

    Em novembro de 2017, no entanto, o Twitter conferiu o selo às contas de líderes do movimento de extrema direita americano que haviam organizado as marchas supremacistas em Charlottesville meses antes naquele ano, como Jason Kessler e Richard Spencer. A empresa foi duramente criticada por usuários que viram a medida como um sinal de apoio e chancela à disseminação de discurso de ódio pela rede social.

    Em resposta, o Twitter suspendeu novas verificações e disse que havia “uma confusão” a respeito da política usada pelo mecanismo. Em um tweet no dia 9 de novembro, a empresa disse que a verificação foi feita para “autenticar identidades e vozes”, mas acabou sendo interpretada como um sinal de “endosso e um indicador de importância”. “Reconhecemos ter criado essa confusão e agora precisamos resolver isso”, disse a empresa.

    Jack Dorsey se manifestou logo em seguida dizendo que a empresa já havia entendido “há algum tempo” que o sistema estava “quebrado” e precisava ser refeito. “Falhamos ao não fazer nada a respeito. Estamos trabalhando agora para consertar mais rapidamente”, disse o executivo.

    Também presente na transmissão ao vivo desta quinta (8), o diretor de produtos David Gasca deu mais detalhes sobre como a empresa tomou conhecimento da “confusão”. A rede fez uma pesquisa (o executivo não precisou quando) em que perguntava “O que você pensa quando vê esse marcador?”, referindo-se ao símbolo usado em contas verificadas.

    “Eles entendem como algo que confere credibilidade, que o Twitter acredita que essa pessoa é alguém que eles acham ótima, autêntica, o que definitivamente não é o que a gente espera que esse marcador indique”, disse Gasca.

    O que muda

    Por enquanto, nada muda. A verificação de contas ainda está suspensa, mas isso deve mudar. O novo sistema deve, de acordo com a fala mais recente de Dorsey, abrir a verificação “para todo mundo”.

    “E a ideia é fazer isso de modo que seja escalável, para que nós [do Twitter] não fiquemos no caminho e as pessoas possam checar mais os fatos sobre elas mesmas e nós não tenhamos de atuar como juízes ou incutir qualquer viés da nossa parte”, afirmou Dorsey em sua transmissão (a partir dos 32 minutos).

    Dorsey garantiu ainda que o anonimato continuará a ser permitido, mas que sua equipe está estudando uma forma de garantir que contas que façam paródia estejam também devidamente sinalizadas para evitar que o conteúdo divulgado por elas não seja confundido como autêntico.

    “Temos muito trabalho pela frente, [a solução] não vai ser da noite para o dia. Seremos tão abertos quanto pudermos”, disse. “Isso será algo desconfortável para nós de muitas formas, mas queremos ser abertos e vulneráveis como todos vocês sobre o que estamos encarando e quais são os nossos desafios”, disse.

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