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Cena de 'Stalker' (1979)
Cena de 'Stalker' (1979)
 

O Mosfilm, maior estúdio de cinema da Rússia e um dos mais antigos da Europa, disponibilizou em seu canal no YouTube cinco longa-metragens de Andrei Tarkovski.

Estes filmes correspondem a boa parte de sua filmografia. Considerando somente longas, apenas “Nostalgia” (1983), “Tempo de Viagem” (1983) – um documentário para a TV –, e “O Sacrifício” (1986), suas últimas produções, ficaram de fora.

Nascido em 1932 na União Soviética, Tarkovski foi um dos cineastas europeus mais importantes do pós-guerra. Exerceu grande influência sobre outros nomes importantes de sua geração, como o polonês Andrzej Wajda e o húngaro Miklós Jancsó.

Seu cinema é conhecido pela ousadia formal, pelo uso do plano-sequência (que registra uma sequência inteira sem cortes), pelas questões metafísicas que atravessam as obras, “pelos loucos sagrados, santos e profetas, temas dostoievskianos de expiação, apocalipse e aprisionamento, perda de espiritualidade e esperança”, escreveu o programador da cinemateca de Toronto, James Quandt, em um ensaio.

“Qual é a essência do trabalho de um diretor? Poderíamos defini-la como ‘esculpir o tempo’. Assim como o escultor toma um bloco de mármore e, guiado pela visão interior de sua futura obra, elimina tudo que não faz parte dela – do mesmo modo o cineasta, a partir de um ‘bloco de tempo’ constituído por uma enorme e sólida quantidade de fatos vivos, corta e rejeita tudo aquilo de que não necessita, deixando apenas o que deverá ser um elemento do futuro filme, o que mostrará ser um componente essencial da imagem cinematográfica”.

Andrei Tarkovski

No livro “Esculpir o Tempo”, de 1986

Obras do diretor no YouTube

“A Infância de Ivan” (1962)

Primeiro longa-metragem do diretor, venceu o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Ivan, aos 12 anos, órfão, perambula sozinho pela zona de guerra próxima ao rio Dnieper. Ele busca vingança contra os nazistas, que assassinaram sua família.

“Andrei Rublev” (1966) - em duas partes

O enredo se baseia na vida de um pintor de ícones religiosos do século 15 e faz um retrato realista e grandioso da Rússia medieval, refletindo sobre conflitos religiosos e o papel da arte.

“Solaris” (1972) - em duas partes

Drama psicológico ambientado na estação espacial que orbita em torno do planeta fictício Solaris. Ficção científica adaptada de um romance de 1961 do autor polonês Stanisław Lem, lida com questões como natureza, morte e luto.

“O Espelho” (1975)

Considerado seu filme mais hermético (na introdução de “Esculpir o Tempo”, Tarkovski menciona várias cartas de espectadores que lhe escreveram por não o terem compreendido), compõe uma espécie de retrato do cineasta a partir de uma estrutura fragmentada de memórias, poemas e imagens de arquivo.

“Stalker” (1979)

Último filme feito pelo diretor na União Soviética, antes do exílio no leste europeu, durante o qual morreria, em 1986. Um professor e um escritor são conduzidos por um guia – o “stalker” – em uma paisagem pós-apocalíptica, “A Zona”, consequência de um desastre ocorrido no passado. Foi filmado próximo a uma indústria química que tornou a região tóxica e abandonada.

 

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