Ir direto ao conteúdo

4 momentos em que a cerimônia do Oscar 2018 destacou a diversidade

Primeira cerimônia de entrega do prêmio em uma "Hollywood pós-Weinstein" teve discursos em favor da inclusão e da representatividade

Temas
 

“As mudanças que estamos presenciando são conduzidas pelas poderosas novas vozes, vozes diferentes, nossas vozes”, disse a atriz Ashley Judd na cerimônia do Oscar 2018.

Transmitido mundialmente no dia 4 de março de 2018, o evento teve como destaques defesas da diversidade e da igualdade de representação de gêneros, raças e etnias no cinema.

Foi, sobretudo, o primeiro Oscar da “Hollywood pós-Weinstein”. Em 2017, graves acusações de assédio sexual derrubaram o todo-poderoso produtor Harvey Weinstein, homem forte da Miramax, inspirando o “efeito Weinstein”, uma onda de denúncias contra assediadores na indústria cinematográfica e além. Também foi o ano de Guillermo del Toro, um mexicano, ganhar o prêmio de melhor direção e de melhor filme por “A Forma da Água”, e do reconhecimento do talento de Jordan Peele, primeiro negro a ser premiado na categoria de melhor roteiro original, pelo filme “Corra!”, inclassificável em termos de gênero. A subversão do filme colocou no centro do debate o preconceito racial.

Entre as agendas defendidas como forma de combater práticas opressoras está a necessidade de tornar a indústria mais igualitária em termos de gênero, com o poder e as decisões menos concentradas nas mãos de homens brancos.

O Nexo reuniu quatro momentos da entrega do Oscar que sinalizaram essas agendas.

Cláusula de inclusão

A atriz Frances McDormand, que levou seu segundo Oscar como atriz por “Três anúncios para um crime”, pediu que todas as mulheres indicadas a prêmios naquela noite se levantassem para que sua presença pudesse ser vista. McDormand também conclamou os produtores no evento a se encontrarem com mulheres para falar sobre seus trabalhos como roteiristas e diretoras. “Todas nós temos histórias para contar e projetos para financiar.” No final, a atriz lançou a expressão “cláusula de inclusão”, sem mais explicações. Trata-se de uma cláusula contratual em que um artista exige pelo menos 50% de diversidade no elenco e na equipe técnica.

 

Time’s Up

A Academia dedicou um trecho da cerimônia ao movimento Time’s Up. Fundado em 1 de janeiro de 2018 por personalidades de Hollywood, ele se dedica a combater o assédio sexual na indústria. Na cerimônia, as atrizes Ashley Judd, Annabella Sciorra e Salma Hayek lembraram o ano passado como um período em que “a verdade” veio à tona e “lentamente, um novo caminho surgiu”. Foi transmitido um vídeo com depoimentos de profissionais do cinema, mulheres, negros e/ou trans e trechos de filmes como “Pantera Negra”, “Lady Bird” e “Uma mulher fantástica”. O vídeo abre com a atriz Mira Sorvino falando dos movimentos #MeToo e Time’s Up. Sorvino, que entrou no tapete vermelho com Judd, foi uma das vítimas de Weinstein, que ela acusa de ter prejudicado sua carreira. Na quinta-feira (1º de março), a empresa Weinstein Company, à beira da falência, foi comprada por uma ex-funcionária do governo de Barack Obama, Maria Contreras-Sweet.

Daniela Vega e 'Uma mulher fantástica'

O filme chileno conseguiu a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. A produção se destaca por trazer uma personagem trans vivida por uma atriz trans, Daniela Vega. Vale lembrar que um vencedor do Oscar de 2014, “Clube de compras Dallas”, teve seu personagem trans vivido pelo ator Jared Leto (premiado Melhor Ator Coadjuvante). Foi a sétima nomeação e a primeira vitória do Chile no Oscar. Vega também anunciou a apresentação do músico Sufjan Stevens, que interpretou a canção “Mystery of Love”, tema do filme “Me chame pelo seu nome” indicada para o prêmio de Melhor Canção Original. Foi a primeira vez na história da premiação que uma trans subiu ao palco da cerimônia para um anúncio.

O monólogo de abertura

O apresentador da cerimônia, o ator e comediante Jimmy Kimmel, fez um discurso no início da cerimônia com diversas referências aos problemas de assédio e de falta de diversidade da indústria. Inicialmente, ele brincou, chamando o boneco Oscar de “homem mais querido e respeitado de Hollywood” porque “mantém as mãos onde elas podem ser vistas”. Depois, em tom mais sério, falou sobre como Harvey Weinstein mereceu ser expulso da Academia e de como a instituição tem “de dar o exemplo”, pois tem influência em toda parte. Ele também lembrou diversos profissionais nomeados na cerimônia, como a diretora Greta Gerwig, de “Lady Bird”, e a diretora de fotografia Rachel Morrison (que não ganharam) e filmes como “Mulher Maravilha” e “Pantera Negra”. Kimmel também destacou a importância dos movimentos “Me Too”, “Time’s Up” e “Never Again”.

 

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.

Mais recentes

Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!