Como a sazonalidade afeta a taxa de desemprego no Brasil

Desocupação aumentou no trimestre terminado em janeiro. Dados históricos mostraram aumentos nos três primeiros resultados do ano

     

    O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou na quarta-feira (28) que a taxa de desemprego ficou em 12,2% no trimestre entre novembro e janeiro. É o primeiro aumento na taxa de desocupação depois de nove trimestres móveis consecutivos de queda.

    A última alta na desocupação, no entanto, pode ser considerada normal se for feita a comparação com anos anteriores. O mercado de trabalho é muito afetado pelo que os economistas chamam de efeito sazonal, ou sazonalidade.

    A sazonalidade

    Seja porque a colheita de grãos como a soja acontece normalmente no início do ano, seja porque, culturalmente, as pessoas compram presentes em novembro e dezembro, o mercado de trabalho varia bastante durante o ano.

    Baseados em projeções, empresas e empregadores costumam se planejar para aumentar a produção em determinadas épocas do ano. Assim, o mercado de trabalho acaba tendo um período de maior aquecimento e desaquecimento em outros momentos.

    O trimestre móvel

    Desde que o IBGE adotou a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) como principal fonte de dados do mercado de trabalho, não se tem mais a taxa exata de um mês, mas sim a do trimestre móvel terminado nesse mês.

    O desemprego divulgado num dado mês é uma média entre a taxa desse mês e as dos dois anteriores. Por exemplo: o resultado mais recente foi a média de novembro, dezembro e janeiro. O próximo será dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Em seguida, janeiro, fevereiro e março. E assim por diante.

    Segundo a série histórica que começa em 2012, o aumento do desemprego é normal quando o trimestre móvel chega a janeiro. E a tendência, pela sazonalidade, é de que a taxa aumente nos dois resultados seguintes.

    Em %

     

    Nos últimos quatro anos, como mostra o gráfico, a taxa de desemprego cresceu entre janeiro e março. Normalmente, ela recua a partir do segundo trimestre. As exceções foram os anos de 2015 e 2016, no auge da crise econômica.

    Em 2017, a taxa diminuiu depois de atingir o pico em março, mas os recuos não foram suficientes para uma redução substancial do desemprego. Tanto que o primeiro número de 2018 é praticamente igual ao de 2017.

    Em números absolutos

    A taxa de desocupação não leva em conta toda a população do Brasil apta a trabalhar, somente quem está procurando um emprego e não conseguiu. Por isso, a taxa não é suficiente para dizer quantos brasileiros estão desocupados.

    O que o número absoluto e a taxa têm em comum é que apresentam comportamento semelhante ao longo do ano. No gráfico, é possível ver onde se situa 2018 na série e a evolução do número de desocupados nos anos passados.

    Desde 2014

     

    Os ocupados

    O número de desempregados mudou pouco entre o início e o fim de 2017 - houve um aumento no início do ano compensado por quedas a partir de abril. Mas isso esconde o fato de que muita gente conseguiu uma ocupação durante o ano. O número de pessoas ocupadas no trimestre terminado em janeiro de 2018 já é maior do que nos terminados em janeiro de 2017, 2016 e 2014.

    Aumento em 2017

     

    A diferença do contexto atual para o dos anos anteriores, e isso tem pouca relação com o efeito sazonal, é que o que mais cresceu nos últimos meses foram os empregos de baixa qualidade. São 2,5 milhões de empregos com carteira assinada a menos na comparação com 2014. Essa queda é compensada por mais 2 milhões de pessoas trabalhando por conta própria e por um crescimento do número de postos de trabalho sem carteira assinada - principalmente ao longo de 2017.

     

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: