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O ativismo da atriz trans do filme chileno indicado ao Oscar

Para Daniela Vega, protagonista de “Uma mulher fantástica”, longa-metragem é oportunidade para promover inclusão

    Entre os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2018, o filme chileno “Uma mulher fantástica” tem sido apontado por especialistas como um dos favoritos.

    Estrelado por Daniela Vega, o filme relata a história de Marina, uma garçonete e cantora transexual que enfrenta toda sorte de preconceito quando morre seu namorado, um homem divorciado e pai de família.

    Vega é transexual. Inicialmente recrutada para trabalhar como consultora na produção, acabou escalada pelo diretor e roteirista Sebastián Lelio para o papel principal.  

    Lelio conheceu Vega em um salão de beleza em Santiago, capital do Chile, onde a atriz e cantora trabalhava como maquiadora e cabeleireira. Inicialmente, o diretor queria saber como era a vida de mulher transgênero na cidade. 

    “Nunca esquecerei”, disse o diretor à revista americana Time. “Ela abriu a bolsa e mostrou um documento com a velha identidade masculina nele. O estado chileno não reconhece ou admite a existência de pessoas transgêneras.”  

    Se o filme levar a estatueta no próximo domingo (4), será a primeira produção chilena a conseguir tal feito. Em 2013, o filme “No”, dirigido por Pablo Larraín, foi indicado na mesma categoria, mas perdeu para “Amour”, dirigido pelo francês Michael Haneke, representando a Áustria.  

    O filme já coleciona alguns prêmios, entre eles em duas categorias no Festival de Berlim, além de uma indicação ao prêmio máximo, o Urso de Prata.  

    A defesa dos direitos dos transgêneros 

    Vencendo o filme ou não, Vega já está fazendo história no cinema. A atriz será a primeira pessoa abertamente transgênera a apresentar o vencedor em uma categoria na premiação do Oscar. Nos Estados Unidos, a projeção de Vega e “Uma mulher fantástica” vêm sendo vistos como um grande momento da causa trans.  

    No Chile, a atriz ganhou muita popularidade desde que o filme foi lançado no país, em 2017. Com isso, Vega tem tido a oportunidade de defender direitos para pessoas como ela para audiências nacionais.  

    Ao apresentar uma importante cerimônia nacional de direitos humanos, que contava com a presidente Michelle Bachelet entre os presentes, Vega cobrou do sucessor Sebastián Piñera a “correção de leis” para assegurar a diversidade no país.  

    Em janeiro de 2018, o Congresso do país adiou a discussão sobre um projeto de lei, apoiado por Bachelet, que autoriza a alteração do nome e do gênero no documento de identidade de transgêneros, sem a exigência de exames médicos e nem mesmo psiquiátricos. 

    Em entrevista à revista Time, Vega disse que a falta de oportunidades para transgêneros está em todas as áreas: de vagas em diversas indústrias ao acesso à moradia pública. “Para mim, as artes foram uma janela de oportunidade”, afirmou, explicando que a inclusão nessa indústria deve aumentar, gerando como consequência mais inclusão em outros setores.

     

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