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O filme que mostra a importância das mulheres no futebol de várzea

Por meio de quatro histórias individuais, “Mulheres do Progresso: muito além da várzea” destaca papel feminino nos campos e nas comunidades que os cercam

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    Mãe de cinco filhos, Sindy Rodrigues frequenta jogos de várzea desde muito cedo. “Eu tinha um ano quando o Explosão foi criado”, disse ela, em referência ao time Esporte Clube Explosão da Vila Joaniza, bairro da zona sul de São Paulo. Rodrigues é hoje vice-presidente do clube, além de fazer parte do Conselho de Políticas para Mulheres da região.

    A história de Rodrigues e de outras três mulheres da cena do futebol de várzea, versão amadora do esporte que conta com centenas de agremiações na periferia de São Paulo, está no documentário de curta-metragem “Mulheres do Progresso: muito além da várzea”, lançado em fevereiro de 2018.

    Outra personagem do filme é Sandra Aparecida Pereira, que trabalha na organização da Copa Pioneer, maior evento da modalidade, apelidada de “Champions League da várzea”. “Eu comecei trabalhando na liga de futebol de várzea de São Bernardo do Campo como mesária, durante 16 anos”, contou ao site Nós Mulheres da Periferia.

    “[Futebol de várzea] é passado de geração em geração, e o trabalho das mulheres é fundamental dentro disso.”

    Thais Siqueira

    Pesquisadora e autora do argumento de "Mulheres do progresso"

    “Começamos a observar como as mulheres sempre estiveram inseridas nesse meio, não só como torcedoras, mas fazendo a diferença e com voz ativa nos times”, declarou ao Nexo Thais Siqueira, responsável pelo argumento e pesquisa do filme. “Percebemos como era importante dar visibilidade e enaltecer essas mulheres.”

    Em “Mulheres do Progresso”, elas podem ser tanto torcedoras como jogadoras, secretárias, mesárias ou diretoras de clube.

    Futebol e comunidade

    No documentário, as mulheres retratadas destacam o papel do futebol de várzea na formação das crianças nos bairros. De acordo com Siqueira, a maior parte dos times têm escolinha de futebol. “É passado de geração em geração, e o trabalho das mulheres é fundamental dentro disso”, afirmou. Para ela, as famílias preferem ver suas crianças nesses locais a vê-los na rua ou em contextos de risco.

    O filme ressalta o papel comunitário do esporte, reunindo não só vizinhos e moradores de uma região, como propiciando o encontro entre pessoas de bairros diferentes da periferia, por meio de partidas e campeonatos.

     

    “Esses jogos, esses festivais, esses campeonatos criam essa possibilidade de unir todas as quebradas. Você vê que todo mundo dos times se conhece, por mais que exista uma rivalidade dentro de campo”, ressaltou a diretora e roteirista do filme, Jamaica Santarém, à Agência Brasil.

    Para as realizadoras do curta, a contribuição das mulheres é essencial neste sentido. “A gente percebeu que toda a atuação dessas mulheres vai além da várzea. A várzea é como se fosse um elo para que elas tenham uma atuação voltada a essa periferia. Todas têm jornada dupla, tripla, são mães. Todas têm uma atividade que executam dentro da comunidade”, acrescentou.

    O filme é uma produção do coletivo de comunicação Doladodecá, fundado em 2010 por Tatiana Ivanovici, jornalista e produtora conhecida por sua atuação na periferia de São Paulo. O curta é um tributo a Ivanovici. O coletivo é responsável pelo Festival Doladodecá, um torneio com times da periferia realizado anualmente.

    O futebol de várzea ganhou este nome na década de 1920, quando era jogado nas várzeas do Rio Tietê, em São Paulo, antes de ele ser canalizado e retificado. Jogos e campeonatos de futebol amador são praticados por todo o país. Entre os jogadores conhecidos atualmente que foram descobertos em campos de várzea estão atletas como Elias, Leandro Damião e Liédson, que foi jogar em Portugal e acabou se naturalizando para atuar na seleção portuguesa.

       

     

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