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A popularidade de quem tentou reeleição. E a situação de Temer

As avaliações dos presidentes FHC, Lula e Dilma no início do ano em que foram às urnas para se manterem no cargo

 

No dia 16 de fevereiro o presidente Michel Temer emitiu um decreto de intervenção no Rio, passando o controle da segurança pública do estado para o governo federal.

A medida foi entendida por parte dos analistas políticos como uma jogada de Temer a fim de melhorar a imagem de seu governo e, eventualmente, colocá-lo na disputa eleitoral de 2018.

Sem conseguir aprovar as alterações na Previdência no Congresso, o presidente, na prática, tirou o foco da agenda reformista, transferindo as energias do governo para a área de segurança pública.

Criou até um ministério específico para o setor e colocou em seu comando Raul Jungmann (que até então era ministro da Defesa).

O marqueteiro presidencial, Elsinho Mouco, chegou a declarar ao jornal O Globo que a intervenção faria Temer “virar o tabuleiro” da popularidade. “Já é candidato”, disse.

O Palácio do Planalto correu para desmentir o marqueteiro, mas o assunto ganhou tração, mesmo com a reiterada negativa presidencial.

Popularidade de presidentes em suas reeleições

A Constituição de 1988 previa que presidentes teriam direito a apenas um mandato de quatro anos. A regra foi alterada em 1997, após aprovação de uma emenda constitucional apoiada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Diretamente beneficiado, o tucano se reelegeu no ano seguinte.

Desde então, o Brasil teve mais dois presidentes, os petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ambos também tentaram a reeleição. E conseguiram se manter no cargo.

Dilma viria a ser derrubada em seu segundo mandato, em um impeachment apoiado, inclusive, pelo vice Michel Temer, que assumiu a Presidência em maio de 2016.

O entorno de Temer, agora, cogita que o político do MDB busque ser o quarto presidente pós-redemocratização a ser reeleito. A situação do atual presidente, no entanto, é muito adversa.

Veja abaixo como estavam as avaliações de FHC, Lula e Dilma no início do ano em que tentaram (e conseguiram) a reeleição. E compare com a avaliação de Temer.

FHC em 1998

Aprovação do governo FHC em março de 1998

Lula em 2006

Aprovação de Lula em fevereiro de 2006

Dilma em 2014

Aprovação de Dilma em fevereiro de 2014

Temer em 2018

Aprovação de Temer em janeiro de 2018
 

Denúncias como fator de desgaste

Temer assumiu a presidência da República em maio de 2016 após o Congresso aprovar a abertura de processo de impeachment contra Dilma, sua companheira de chapa nas eleições de 2010 e 2014.

O presidente sempre teve índice de reprovação superior ao de aprovação, mas a avaliação da gestão piorou ainda mais após o escândalo da JBS.

O presidente foi alvo de duas denúncias criminais em 2017, formuladas pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A primeira denúncia, por corrupção passiva, foi apresentada em junho de 2017, com base no fato de que um ex-assessor seu receber uma mala com R$ 500 mil de um executivo do frigorífico. O dinheiro, segundo delatores da JBS, era para o presidente, algo que ele nega.

A segunda denúncia, apresentada em setembro de 2017, acusou o presidente de formação de quadrilha e obstrução de Justiça. A denúncia afirmava que Temer era o chefe de uma organização criminosa – composta por políticos do MDB – que havia desviado mais de R$ 500 milhões dos cofres públicos.

O presidente também era acusado de ter dado aval para que a JBS comprasse o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB), que está preso e ameaçava fazer um acordo de delação premiada. O presidente também nega ter cometido esses dois crimes.

Temer se tornou o primeiro presidente da história a ser denunciado por crimes comuns durante o exercício do mandato. As duas denúncias foram barradas pela Câmara – a Constituição exige que os deputados autorizem abertura de processo penais contra presidentes.

A agenda reformista. E o discurso econômico

Em paralelo às denúncias de corrupção contra ele pessoalmente e contra seu entorno, Temer teve de lidar com uma grave crise econômica que vinha do governo Dilma.

Há sinais de recuperação. A inflação está baixa, a taxa de juros também, assim como há retomada do crescimento econômico. O desemprego, índice central para o bem estar da população, registra melhora, mas ainda é alto. Além disso, as vagas criadas são de baixa qualidade.

Temer conseguiu aprovar apenas parte de suas reformas. Estabeleceu um teto de gastos públicos por 20 anos, a fim de controlar a contas do governo, e aprovou uma reforma trabalhista, numa mudança significativa na regulação das relações entre empregadores e empregados. Em meio a essa agenda, enfrentou manifestações, entre elas uma greve geral

O presidente não entregou, porém, sua principal promessa: alterar a Previdência. As mudanças no acesso às aposentadorias eram impopulares. E Temer acabou por gastar seu capital político para barrar as denúncias de Janot no Congresso. Não tinha mais apoio, ainda mais em ano eleitoral, para aprovar a reforma.

Em dezembro de 2017, chegou a dizer à Rádio Bandeirantes que espera ver sua popularidade aumentar “muito”. O presidente aguarda agora as pesquisas de popularidade pós-intervenção. O resultado terá peso importante nos cálculos para estar ou não com seu nome na urna em outubro de 2018.

     

 

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