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Por que a desertificação pode aumentar na Bahia, segundo esta pesquisa

Estudo da Unicamp alerta para aumento de áreas com risco de aridez, algumas em polos agrícolas

 

Uma Bahia com menos chuvas, temperaturas mais altas e áreas agrícolas em risco. Este é o cenário projetado para os próximos 30 anos por uma pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) que alerta para a desertificação de diversas áreas do estado.

Realizado por Camila da Silva Dourado, da Feagri (Faculdade de Engenharia Agrícola), o trabalho aponta que as mesorregiões (as subdivisões do estado) com maior propensão a se tornarem mais áridas correspondem a importantes polos agrícolas baianos, por exemplo, perto das cidades de Barreiras (oeste) e Juazeiro (norte).

Intitulado “Áreas de risco de desertificação: cenários atuais e futuros, frente às mudanças climáticas”, o levantamento utiliza dados climáticos, como chuva e temperatura, e dados do solo, como índice de erosão e de cobertura vegetal, entre 2000 e 2014. 

 

A pesquisa também se valeu de uma ferramenta de projeção de mudanças climáticas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para obter a estimativa de que a Bahia deve ter menos chuvas e ficar cerca de 1°C mais quente entre 2021 e 2050.

Do polígono ao semiárido

Dá-se o nome de desertificação ao processo que deteriora solo, cobertura vegetal e biodiversidade de forma extrema. Os recursos hídricos ficam reduzidos e a atividade agropecuária fica seriamente prejudicada em áreas desertificadas.

A desertificação é um processo antigo na Bahia, que já tinha parte substancial de seu território no chamado “polígono das secas”, expressão definida em lei em 1946 para uma grande extensão árida que englobava partes de estados da região Nordeste e de Minas Gerais.

Em 2015, uma pesquisa da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) colocou 291 municípios baianos como suscetíveis à desertificação, a maior quantidade entre os estados contemplados pelo estudo.

Pesquisadores da Embrapa responsabilizaram a ação humana pelo fenômeno, ao lado dos fatores climáticos. Citaram práticas como desmatamento, queimadas e manejo inadequado do solo como tendo contribuído para esse quadro.

Foto: Reprodução
 

A pesquisadora da Unicamp também ressaltou o papel do homem no processo, explicando que, “a depender da prática agrícola que é adotada hoje, terras produtivas serão transformadas em improdutivas. Não adianta utilizar práticas inadequadas que não visem à sustentabilidade daquele solo e dos recursos naturais”, explicou Dourado ao Jornal da Unicamp.

A Bahia é a segunda maior produtora de frutas do país, responsável por 12,2% do valor da produção nacional. Também se destaca no cultivo de grãos e do algodão. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2016.

“Os cenários de aumento de áreas de risco para a agricultura por causa da desertificação ameaçam diversos setores econômicos e sociais da região, principalmente o agropecuário”, declarou a pesquisadora da Unicamp.

 

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