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Este site desenha as políticas de privacidade de aplicativos para você

Projeto criado por pesquisador na Suíça lê termos e políticas de privacidade de sites e aplicativos e os 'traduz' graficamente para usuários

    Ao criar uma conta, aceitar os termos de uso e entrar no Facebook, um internauta qualquer entrega à empresa americana responsável pela rede social informações como sua localização, contatos, dados sobre o aparelho que usa para acessá-la, preferências musicais e simpatias políticas. Tais dados podem ser usados para endereçamento de anúncios, marketing, pesquisas de tráfego, além de outros fins não muito claros. Por fim, caso seja do interesse do usuário evitar que isso ocorra, ele: 1) tem a chance de “desligar” a opção, 2) pode entrar em contato com a empresa e pedir para que ele não colete mais seus dados ou, por fim, 3) tem que abandonar a rede social.

    As afirmações acima poderiam ser obtidas a partir da demorada e difícil leitura dos termos de serviço e políticas de privacidade de uma aplicação on-line como o Facebook. Nessas espécies de contratos está descrito todo tipo de coisa com que o usuário concorda em se submeter para poder fazer uso do serviço em questão. Poucos leem, mas, para acessar, todos concordam.

    Como forma de chamar atenção para os conteúdos desses termos e políticas – e para o fato de que muitos usuários concordaram com práticas que, se delas fossem cientes, não o teriam feito – o pesquisador libanês Hamza Harkous e sua equipe na Suíça criaram o Polisis.

    O site (em inglês) apresenta graficamente o que na prática dizem os termos e políticas de mais de 17 mil páginas da internet. O processo de leitura e transformação do texto em gráficos é feito de modo automático por inteligência artificial.

    Para usar, basta digitar o nome do site ou aplicativo do qual se deseja entender os termos de política de privacidade. Caso ele ainda não esteja disponível, basta clicar em “add policy” e inserir o endereço. O computador rastreia os termos do site (é necessário que estejam em inglês) e gera o resultado instantaneamente.

    Na sequência, o Polisis projeta então as informações em três etapas: primeiro, os tipos de dados coletados do usuário (demográficos, de localização, contatos, de atividade etc.); depois, a finalidade para a coleta daqueles dados (direcionamento de anúncio, personalização de serviço, marketing etc); por fim, quais opções têm o usuário em relação à coleta feita de seus dados (impedir a coleta nas configurações do serviço ou com terceiros, pedir o fim da coleta por contato direto etc).

    Por meio das abas na barra superior, é possível saber mais dos termos sobre temas específicos, como compartilhamento de dados com terceiros, segurança, o tempo durante o qual os dados são retidos e por quê, ou ainda quais dados podem ser editados ou excluídos.

    Por meio do Polisis, é possível saber, por exemplo, que, ao usar um serviço da Apple, a empresa colhe dados da sua localização e os usa, entre outras coisas úteis ao usuário, para fins de direcionamento de anúncio. A respeito dessa coleta, os termos da empresa não especificam o que o usuário pode fazer caso queira interrompê-la.

    Foto: Reprodução/Polisis
    Diagrama sobre os termos e políticas da Apple no Polisis
    Diagrama sobre os termos e políticas da Apple no Polisis

    Origem do serviço

    Antes de criar o Polisis, Hamza Harkous havia desenvolvido um chat bot – ou seja, um interlocutor virtual capaz de entender e responder a perguntas de humanos – voltado a atender pessoas interessadas em entender o que era feito de seus dados por sites, redes sociais ou aplicativos específicos.

    Seu funcionamento é semelhante: o usuário insere o nome do site ou aplicação, faz a pergunta e o bot responde usando trechos dos termos do serviço (sua base contou inicialmente com as políticas de mais de 130 mil aplicativos da loja virtual do Google) que tenham relação com a questão.

    Chamado de Pribot, o serviço prestado é útil, mas depende de usuários fazerem as perguntas certas. Foi da necessidade de pular essa etapa que surgiu a ideia do Polisis (palavra que vem da aglutinação de termos em inglês para “análise de políticas”), lançado recentemente, no início de fevereiro de 2018.

    Futuro

    Como próximos passos, Harkous e sua equipe esperam melhorar o Polisis (tanto o site como o plug-in disponível para uso em navegadores como Chrome e Firefox), tornando sua visualização ainda mais amigável para o usuário comum.

    Os pesquisadores querem deixar mais evidente relações fora do padrão percebidas pelo sistema, bem como a possibilidade de poder comparar tratamentos de dados de usuários feitos por diferentes aplicações (como Facebook e Twitter). Por fim, Harkous espera expandir o Polisis para mais idiomas além do inglês.

    O especialista espera chamar atenção das empresas para a falta de clareza de seus termos. “Políticas de privacidade ainda cumprem o papel de serem legalmente vinculantes de um lado, e de serem a interface com os usuários, de outro”, disse Harkous ao site Fast Company.

    “Espero um dia chegar ao ponto em que o texto de política de privacidade não seja mais a interface padrão com o usuário (...) Talvez, em algum momento, nós possamos forçar as empresas a fazer isso elas mesmas e oferecer visualizações que sejam realmente fáceis de se entender”, disse.

     

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