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O serviço on-line que busca ajudar mulheres a atingirem o orgasmo

Site OMGYes oferece pacote de vídeos educativos e interativos que exploram técnicas para aumentar e fazer conhecer o prazer feminino

     

    Mais de 55% das mulheres brasileiras enfrentam dificuldades para chegar ao orgasmo, segundo uma pesquisa de 2016 do ProSex (Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo).

    Cerca de 40% delas também não se masturbam. Trata-se de um índice bem mais alto do que no caso dos homens. Entre eles apenas 17,3% não praticam a masturbação. O levantamento contou com a participação de 3.000 pessoas entre 18 e 70 anos, de sete regiões metropolitanas do país.

    O site OMGYes, uma plataforma paga com vídeos educativos que ajudam mulheres a chegarem ao orgasmo, é uma das iniciativas criadas recentemente para combater os tabus e o desconhecimento que privam uma parcela expressiva de mulheres de uma vida sexual satisfatória.

    De acordo com informações do próprio site, o serviço conta atualmente com mais de 200 mil inscritos, dentre os quais metade são mulheres e metade, homens.

    A plataforma possui uma versão em português e o serviço é pago. O pagamento único, no valor de US$ 15 (cerca de R$ 50), disponibiliza a “primeira temporada”, composta de 12 tópicos e 50 vídeos de “como fazer”, além de entrevistas com mulheres reais e 11 vídeos interativos, nos quais, por meio de um dispositivo touchscreen, os usuários podem experimentar a técnica ensinada. Depois, recebem um feedback sobre o que pode melhorar.

    As 12 maneiras

    Segundo uma reportagem da revista Marie Claire australiana, o projeto surgiu de uma conversa entre os amigos Lydia Daniller and Rob Perkins sobre as maneiras de tocar uma mulher.

    Em parceria com pesquisadores da Universidade de Indiana, nos EUA, e do Instituto Kinsey, que se dedica ao estudo de temas de sexualidade e gênero, os fundadores do OMGYes conduziram uma pesquisa que entrevistou 2.000 mulheres americanas de 18 a 94 anos, da qual derivam as técnicas exploradas nos vídeos.

    Publicado com o título “Women's Experiences With Genital Touching, Sexual Pleasure, and Orgasm” (Experiências femininas com o toque genital, o prazer sexual e o orgasmo, em uma tradução livre) o estudo é declarado pelo site como o primeiro de larga escala e nacionalmente representativo, nos EUA, a focar nos detalhes do toque e do prazer sexual.

    A partir da investigação, a equipe do OMGYes identificou e nomeou 12 maneiras de fazer uma mulher ter um orgasmo, em uma relação sexual ou sozinha.

    De acordo com o site, há planos de que experiências de todos os tipos de pessoas sejam integradas nos vídeos, à medida que mais conteúdo for produzido, e não apenas de mulheres cisgênero. Investigar as especificidades do prazer para pessoas que passaram por uma transição de gênero também está no horizonte.

    A pesquisa feita para a primeira temporada foi centrada no toque da vulva e em participantes que se identificaram como mulheres.

    OMGYes x pornografia

    “As representações na mídia querem nos fazer acreditar que basta apenas um pouco de papai e mamãe, ou sexo contra a parede, para a mulher ter um orgasmo alucinante, todas as vezes, em menos de um minuto”, diz uma das seções do OMGYes.

    O site chama essa ideia de “o mito de Hollywood”, mas ela também é alimentada pela pornografia mainstream, na qual, ao contrário da vida real, as mulheres chegam ao orgasmo rápido, apenas com penetração. 

    Além de propagar informações sobre como atingir o orgasmo feminino por meio de estímulos múltiplos, o OMGYes se opõe à pornografia mainstream em outro aspecto: na estética de seus vídeos.

    Apesar de conter explanações gráficas e detalhadas, o material é apresentado por mulheres reais e a câmera não enquadra seus corpos como em um vídeo pornô.

    Alba, uma professora de 27 anos que concordou em mostrar uma das técnicas, disse ter se sentido confortável ao ver quão natural e respeitoso era o tratamento dado a ela e seu corpo no vídeo.

    “Não há muitos bons modelos de como falar sobre sexo e prazer de maneira honesta na nossa cultura. Tudo é hipersexualizado, mas raramente falamos da mecânica do prazer, por isso é empoderador ouvir mulheres falarem das maneiras pelas quais elas aprenderam a dar prazer a elas mesmas e como explicá-las ao parceiro. Também é legal ver diferentes corpos em um cenário não pornográfico” disse Megan, uma usuária do OMGYes, à revista Marie Claire.

    Orgasmo feminino como negócio

    A indústria de tecnologia tem embarcado na nova onda de mulheres em busca de conhecerem o próprio corpo e prazer para criar não apenas plataformas e aplicativos como o OMGYes como também brinquedos sexuais “empoderadores” e mais adequados para as mulheres.

    Para a reportagem da Marie Claire australiana, esse “feminismo de alcova” é uma rebelião contra uma indústria de entretenimento adulto até então totalmente centrada no prazer dos homens.

    “Mulheres estão dispostas a pagar para ter orgasmos melhores, e os homens estão cada vez mais dispostos a fazer o que for preciso (inclusive gastar dinheiro) para dar mais prazer às mulheres”, disse Megan à Marie Claire. “As pessoas gastam toneladas de dinheiro em lingeries sensuais, mas um produto educativo vai lhes dar muito mais benefícios a longo prazo. Quem não quer mais poder e conhecimento quando se trata do próprio orgasmo?”.

    Vibradores inteligentes e os mais variados brinquedos, com design inovador que busca fugir do formato fálico, estão à venda nesse novo mercado.

    A questão dos dados pessoais

    Uma das preocupações surgidas desse novo cenário é a segurança dos dados, boa parte de natureza íntima, gerados e coletados por esses dispositivos. Em 2017, a fabricante canadense do vibrador inteligente We-Vibe foi condenada a indenizar seus clientes por rastrear, sem seu consentimento, sua atividade sexual.

    O OMGYes afirma não armazenar informações pessoais sobre os clientes que acessam o serviço de dicas, exceto o endereço de e-mail associado à conta. “Essas informações nunca migram para os servidores da nossa empresa”, afirma o site. 

       

     

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