O projeto que mapeia o choque entre expansão urbana e biodiversidade

A partir da observação de mais de 400 cidades do planeta, ‘Atlas para o fim do mundo’ estuda a rota de colisão entre urbanização acelerada e biomas naturais nas próximas décadas

     

    Um estudo apresentado na 9ª edição do Fórum Urbano Mundial, realizada entre 7 e 13 de fevereiro de 2018, mostrou que a expansão de 422 cidades grandes (com mais de 300 mil habitantes) localizadas em pontos-chave de biodiversidade no mundo pode destruir o habitat de espécies já ameaçadas de extinção em 90% dos casos, e em menos de duas décadas.

    A nona conferência da Organização das Nações Unidas reuniu 165 países para discutir a agenda urbana mundial em Kuala Lumpur, na Malásia.

    Segundo o relatório World Cities Report de 2016 da ONU, dois terços da população mundial viverá em cidades até 2030, e a área coberta pelas cidades pode triplicar.

    A pesquisa

    O estudo integra o Atlas para o Fim do Mundo, nome do projeto dos pesquisadores Richard Weller, Claire Hoch e Chieh Huang, do departamento de paisagismo da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, que se dedica a mapear a interferência da urbanização sobre a biodiversidade.

    A partir de dados do Seto Lab, um laboratório de pesquisa da Universidade de Yale, também nos EUA, os pesquisadores mapearam o crescimento projetado para as mais de 400 cidades e cruzaram a expansão com informações sobre vegetação remanescente e animais não marinhos ameaçados de extinção que constam na Lista Vermelha da IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. 

    O resultado do cruzamento é que, entre as 422 cidades localizadas em 36 áreas ricas de biodiversidade, haverá zonas de conflito com os biomas locais em 393 delas, se continuarem se expandindo no ritmo atual.

     

    Entre as 393, 33 cidades do mundo foram declaradas “pontos críticos” dessa interferência urbana na biodiversidade. Trata-se daquelas que devem enfrentar o maior crescimento populacional e expansão geográfica nos próximos anos, e que, por isso, são apontadas pelo estudo como prioritárias na adoção de medidas de preservação ambiental.

     

    Dos 33 “hotspots urbanos” do estudo, dois estão no Brasil. O crescimento de São Paulo e Brasília ameaça, respectivamente, a integridade do que resta da Mata Atlântica e do Cerrado.

    Nos mapas feitos pelo “atlas”, as zonas de conflito futuras entre expansão urbana e biodiversidade estão representadas por manchas vermelhas. Quanto mais forte o tom vermelho, maior a probabilidade de “colisão” entre cidade e natureza.

    BRASÍLIA

     

    SÃO PAULO

     

    Os mapas dos demais pontos críticos podem ser vistos no site do projeto.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: