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Por que Paris quer criar uma floresta em uma planície de seu subúrbio

Se o projeto for aprovado, ‘pulmão urbano’ ficará na zona noroeste da cidade e contará com um milhão de novas árvores, que atingirão maturidade até 2070

     

    A administração de Paris, capital e maior cidade francesa, tem se empenhado nos últimos anos em uma cruzada contra a poluição do ar.

    Em 2016, restringiu a circulação de veículos em determinadas vias e horários, na intenção de eliminar os carros completamente nesses lugares até 2030. No ano seguinte, lançou um plano de pedestrianização para aumentar o espaço destinado a quem anda a pé na cidade, em relação aos adeptos do carro.

    Agora, após quase 15 anos de debates, a criação de uma nova floresta – que ocuparia a planície de Pierrelaye-Bessancourt, municípios na fronteira noroeste de Paris – entrou em marcha com a abertura de uma consulta pública, que vai até abril. 

    O projeto consiste em plantar um milhão de árvores (de espécies como faia e carvalho) em 1.350 hectares, uma área cerca de 8 vezes maior do que a do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Para o site Citylab, se executado, poderia ser o maior projeto urbano e suburbano de restauração verde do século.

    Caso avance, as primeiras árvores devem ser plantadas em 2020 e a floresta atingiria maturidade entre 2050 e 2070, segundo uma reportagem da emissora de TV France Info.

    Objetivos

    As árvores da floresta em Pierrelaye-Bessancourt teriam duas principais funções: purificar o ar da região (atuando no combate ao efeito estufa) e o solo da planície. Embora outros lugares já tenham sido cotados para a iniciativa, o terreno onde a floresta deve se localizar, segundo a versão atual do projeto, é especialmente interessante para a recuperação ambiental.

    A planície se localiza entre os rios Sena e Oise. Seu solo vem sendo poluído há mais de um século: a partir do fim do século 19, segundo a reportagem do Citylab, Paris passou a depositar resíduos de esgoto no local, com o propósito de fertilizar campos e hortas.

    Na década de 1990, testes mostraram que o solo se encontrava altamente poluído também por metais pesados. Atualmente, a área funciona como um aterro informal de lixo urbano, e chega a ter carros e sofás abandonados aqui e ali.

    Além disso, uma vez crescidas, as novas árvores preencheriam o descampado existente entre duas florestas já consolidadas, a de Saint Germain-en-Laye e Montmorency, interligando o habitat de espécies de plantas e animais silvestres. 

    “Em meados desse século, seria bem possível para um esquilo altamente motivado pular de galho em galho do Castelo de Versalhes ao Castelo de Chantilly, distantes um do outro cerca de 50 km, sem tocar o solo nenhuma vez”, escreveu o correspondente europeu do Citylab, Feargus O’Sullivan.

    Obstáculos

    Os planos para a criação da floresta apenas começaram a tomar corpo. Um dos entraves burocráticos à execução é a posse da terra, dividida entre milhares de donos privados e públicos.

    Há, além disso, pessoas assentadas informalmente no território, acampamentos e trailers frequentemente ocupados por viajantes. Processos de desapropriação e acordos com esses habitantes devem levar anos. 

     

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