A relação entre taxa Selic e caderneta de poupança em 4 gráficos

Queda da taxa de juros diminui o rendimento do investimento mais popular do Brasil, mas pode aumentar a atratividade

    A meta do Banco Central para a Selic bateu mais um recorde histórico. A redução anunciada pelo Comitê de Política Monetária levou a taxa básica de juros anual para 6,75% ao ano, o menor patamar desde que a Selic começou a ser usada como mecanismo de combate a inflação, no fim da década de 1990.

    As metas para a Selic

     

    A queda da Selic é um incentivo à economia real porque torna o custo de financiamento menor para pessoas e empresas que precisam de dinheiro. Por outro lado, a redução da taxa básica de juros diminui também a rentabilidade dos investimentos mais comuns no Brasil: a renda fixa.

    Com a Selic no ponto mais baixo da história, ela afeta também um investimento que não costuma ser menos susceptível a essas variações: a caderneta de poupança.

    Entenda como a rentabilidade da aplicação mais popular do Brasil melhora ou piora de acordo com as variações da Selic.

    As rentabilidades nos últimos anos

    O que o Banco Central define é uma meta para o ano. Agora, ela está em 6,75%. A Selic que vai incidir sobre um rendimento, porém, não será a atualmente vigente. O dinheiro vai render com base em uma média de todas as Selics vigentes em um determinado período. A conta fica mais complexa quando há muitas mudanças na taxa.

    É com base na Selic acumulada nos doze meses anteriores que é possível avaliar o rendimento de uma aplicação, como a poupança, por exemplo.

    O gráfico abaixo mostra que há uma correlação entre o rendimento de investimentos atrelados à Selic e a caderneta de poupança. Mas o que realmente importa para medir o retorno de um investimento em poupança é a comparação entre as taxas. E ele vai variar, graças às regras da poupança, de acordo com a variação da Selic.

    Histórico recente

     

    A poupança com a Selic acima de 8,5%

    Quando a taxa Selic está em qualquer patamar acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 6,17% ao ano mais uma taxa - chamada taxa referencial e calculada com base em juros pagos por bancos a clientes.

    A soma dessas duas taxas fez com que o rendimento da poupança variasse entre 7% e 8,4% nos períodos em que a Selic estava acima de 8,5%. Isso mostra que o maior impacto no rendimento da poupança vem dos 6,17% anuais - a taxa referencial é só um complemento.

    Acontece que quando a Selic está muito alta, a poupança continua pagando 6,17% ao ano mais a TR e isso torna o rendimento muito diferente.

    Foi o que aconteceu entre 2015 e 2016, quando a Selic subiu rapidamente e a poupança não acompanhou - porque continuou com a maior parte de seu rendimento atrelada à regra de 6,17% ao ano.

    Em 2016, a poupança atingiu o maior ponto de rentabilidade nominal dos últimos anos, acima de 8% ao ano. Mas isso não quer dizer que ela era um bom negócio, já que os muitos investimentos que têm rentabilidade atrelada à Selic estavam rendendo muito mais que isso.

    A título de curiosidade, durante o período destacado, a poupança chegou a não cobrir a inflação. Ou seja, deixar dinheiro na caderneta era perder dinheiro.

    Selic alta

     

    Com a Selic abaixo de 8,5%

    Em 2012, quando a Selic estava prestes a cair pela primeira vez para abaixo desse patamar, a então presidente Dilma Rousseff mudou a regra que há décadas definia o rendimento da poupança. Toda vez que a Selic ficar abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento básico da poupança passa a ser de 70% da Selic - e não mais 6,17%.

    A princípio, é correto dizer que a rentabilidade da poupança piora quando a Selic diminui, mas é verdade também que ela fica mais próxima dos outros investimentos. É o que deve acontecer durante o ano de 2018.

    O gráfico abaixo mostra o outro período em que isso aconteceu: nos anos de 2012 e 2013. Nessa época, o governo chegou a colocar a Selic em 7,25% ao ano, o que diminuiu também o rendimento da Poupança. Mas comparando as duas, esse é o período em que elas são mais parecidas.

    Isso quer dizer que essa foi a época em que a poupança esteve mais próxima da maioria dos investimentos de renda fixa, que geralmente são atrelados à Selic ou ao CDI - uma taxa ligeiramente mais baixa, mas que se comporta como a Selic.

    Selic baixa

     

    As vantagens da poupança

    Mesmo com um rendimento menor em números absolutos, é quando a Selic está mais baixa que a poupança é mais vantajosa comparativamente. A poupança tem suas vantagens.

    Uma das principais é que o rendimento da aplicação é totalmente livre: não há taxa de administração nem cobrança de Imposto de Renda. Além disso, é possível tirar o dinheiro quando quiser, perdendo, no máximo, o rendimento de um mês.

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