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De quanto em quanto tempo é preciso se movimentar, segundo esta pesquisa

Pesquisadores americanos usaram medidor de movimentos em trabalhadores e os acompanhou por quatro anos, anotando os hábitos e os períodos de inatividade

 

Assim como se alimentar mal ou fumar, rotinas de trabalho longas e sedentárias estão associadas a problemas de saúde.

Diversas pesquisas buscam mensurar o efeito negativo do trabalho sobre o corpo humano, mas, com frequência, as conclusões são exasperadoras: elas indicam que, para diminuir riscos à saúde, grande parte da população deveria alterar de forma drástica suas rotinas de trabalho. O problema é que combinar com o empregador ou mudar para um emprego menos danoso não é, para a maioria das pessoas, factível.

Em mais um exemplo desse dilema entre trabalho e saúde, uma pesquisa publicada em setembro de 2017 na revista acadêmica americana Annals of Internal Medicine mediu a movimentação de quase 8.000 pessoas nos EUA, e as acompanhou em intervalos de seis meses por um período de quatro anos, anotando quantas delas morriam.

A pesquisa concluiu que, idealmente, períodos de sedentarismo, ou seja, de inatividade, como ficar sentado na frente do computador ou no carro, deveriam ser interrompidos com movimentos a cada 30 minutos para evitar o aumento de risco de morte por qualquer tipo de causa.

Intitulada ‘Padrões de comportamento sedentário e mortalidade entre adultos americanos de meia idade ou mais velhos’, a própria pesquisa reconhece, no entanto, que a recomendação seria dificilmente aplicável, e afirma que “pausas no sedentarismo a cada 60 ou 90 minutos podem ser mais praticáveis do ponto de vista da saúde pública”.

Como a pesquisa foi feita

Os pesquisadores se basearam em dados coletados, entre 2003 e 2007, de 30.239 adultos americanos negros e brancos, de 45 anos ou mais. Informações sobre comportamento foram obtidas por entrevistas por telefone, e dados de saúde por meio de exames feitos em casa. Os pacientes voltaram a ser acompanhados em intervalos de seis meses por até quatro anos.

Destes participantes, 7.985 concordaram em participar em testes com acelerômetros, amarrados no lado direito de seus quadris, por sete dias consecutivos. Esses aparelhos são capazes de medir aceleração, e servem para identificar atividade física. O trabalho registrou todas as mortes dos participantes, e buscou correlações entre sedentarismo e mortalidade.

Segundo a pesquisa, apesar de trabalhos anteriores terem abordado os efeitos do sedentarismo sobre a saúde, muitos não eram claros sobre se haveria uma diferença entre os efeitos de passar longos períodos contínuos sem atividade física e a soma do tempo total de sedentarismo no decorrer do dia.

Essa diferenciação é importante para entender, por exemplo, a diferença entre passar oito horas consecutivas sentado ou passar oito horas no dia sentado, mas com intervalos de movimentação a cada 40 minutos.

Por isso, a pesquisa analisou os dados de mortalidade considerando esses dois fatores.

O que o trabalho concluiu

De todo o tempo em que as pessoas usaram o acelerômetro, 77,4% foi gasto de maneira sedentária. Ou seja, das cerca de 16 horas que as pessoas passavam acordadas, em média 12,3 foram gastas sem movimentação.

  • Em média, 52% desse tempo foi gasto em períodos contínuos de sedentarismo que duraram entre 0 e 29 minutos
  • 22,1% em períodos contínuos de 30 a 59 minutos
  • 11,8% em períodos contínuos de 60 a 89 minutos
  • 12,8% em períodos contínuos de 90 minutos ou mais

A conclusão foi de que o grupo de pessoas que viviam os maiores períodos contínuos de sedentarismo, assim como um tempo total diário de sedentarismo, tinham risco maior de mortalidade. Isso ocorria mesmo com aqueles que não tinham predisposição a problemas cardíacos, e que praticavam atividade física moderada ou vigorosa.

“Nossas descobertas estendem aquelas de estudos anteriores, ao prover evidência de que comportamento sedentário prolongado e ininterrupto está associado a um risco maior de mortalidade”, afirma o trabalho.

Em especial os grupos com períodos contínuos de sedentarismo de 60 a 89 minutos ou de 90 minutos ou mais tinham um aumento maior do risco de morte. Aqueles com períodos contínuos menores de sedentarismo, de 1 minuto a 29 minutos, tinham um aumento menor.

Ou seja, apesar de o tempo total de sedentarismo diário ser um fator que aumenta o risco de mortalidade no geral, é pior ficar longos períodos contínuos de sedentarismo do que distribuir esse tempo com intervalos de atividade física no decorrer do dia.

Como a vivência de períodos contínuos de sedentarismo de no máximo 29 minutos é a associada ao menor risco de morte, a pesquisa recomenda interromper o comportamento sedentário a cada 30 minutos.

O próprio trabalho admite, no entanto, que isso pode não ser viável em grande parte dos casos, e recomenda, como alternativa pragmática, pausas a cada 60 ou 90 minutos.

“Esses dados dão apoio ao conceito de que a recomendação de reduzir e interromper regularmente o tempo de sedentarismo pode ser uma adição importante às já diretrizes sobre atividade física já existentes”

Pesquisa ‘Padrões de comportamento sedentário e mortalidade entre adultos americanos de meia idade ou mais velhos’

 

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