Qual foi o alcance de crimes cibernéticos em 2017. E como eles são encarados

Segundo pesquisa da empresa de cibersegurança Symantec, 62,2 milhões de pessoas foram afetadas no Brasil no ano passado

 

O ano de 2017 foi marcado por ataques hacker de alcance global, assim como pela descoberta de fragilidades que os viabilizam. Não só criminosos independentes, mas grupos organizados e mesmo governos buscam explorar as vulnerabilidades de sistemas que se tornaram essenciais na vida das pessoas.

Em maio, um ataque do tipo “ransomware” chamado Wannacry exigia das vítimas, entre elas a seguradora Mapfre e o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, o equivalente a US$ 300 em bitcoins para que o acesso a arquivos fosse devolvido. Ele explorava falhas no sistema operacional Windows que haviam sido descobertas pela NSA, a agência de segurança americana, e tornadas públicas após um vazamento.

Um mês após o Wannacry, foi a vez do ataque Petya, que utilizava a mesma brecha, mas dessa vez ameaçava deletar os arquivos caso não houvesse pagamento de resgate. No início de 2018, analistas de diversas instituições identificaram falhas presentes na maior parte dos chips produzidos nos últimos 20 anos que tornam aparelhos vulneráveis a ataques hacker.

Uma pesquisa divulgada em janeiro pela empresa americana Symantec que incluiu o envio de perguntas a 21,55 mil pessoas em 20 países, entre eles o Brasil, busca entender quem foram as vítimas em 2017, como as pessoas encaram crimes cibernéticos e que medidas elas têm tomado para se proteger.

A Symantec produz softwares na área de cibersegurança, e é conhecida como proprietária da linha de antivírus Norton. A empresa não descreve a metodologia completa do estudo, mas os dados indicam que, além, de questionários on-line, ele incluiu projeção e coleta de dados de outras fontes. No total, 44% dos consumidores questionados haviam sofrido algum contato com crimes cibernéticos nos últimos 12 meses.

62,2 milhões

De pessoas no Brasil foram afetadas por crimes digitais em 2017 - a população do país é de cerca de 207 milhões. No mundo inteiro, 978 milhões de pessoas foram atingidas, segundo o relatório. Cada pessoa gastou em média 24 horas para lidar com os problemas que surgiram por esses crimes

US$ 22,5 bilhões

Foram roubados por meio de crimes digitais no Brasil em 2017. No mundo inteiro, os custos foram de US$ 172 bilhões

Crimes cibernéticos são mais aceitos

Apesar do grande número de vítimas, apenas 81% dos consumidores concordaram com a afirmação de que crimes cibernéticos deveriam ser tratados como qualquer outro tipo de crime.

E 22% concordaram com a afirmação de que “roubar informação on-line não é tão ruim quanto roubar propriedade na ‘vida real’”.

As pessoas pesquisadas responderam se concordavam com mais de uma afirmação, e podem ter dado respostas contraditórias. Quase metade afirmou acreditar que diversos atos moralmente questionáveis poderiam ser aceitáveis em certos casos:

26%

Afirmaram acreditar que ler os e-mails de alguém sem permissão pode ser aceitável em alguns casos

21%

Afirmaram que pode ser aceitável compartilhar coisas que sabem que não são verdadeiras

21%

Afirmaram que usar um e-mail falso ou o e-mail de alguém é aceitável em alguns casos

15%

Afirmaram acreditar que pode ser aceitável acessar a conta de alguém sem sua permissão

Barreiras avançadas, senhas furadas

Segundo o trabalho, mesmo com casos de ataques hacker e a descoberta de vulnerabilidades de grande projeção, grande parte dos consumidores tem deslizes básicos sobre sua proteção. Isso ocorre mesmo quando aderem a mecanismos mais sofisticados.

De acordo com o trabalho, 45% das pessoas usam identificação de digitais, 13% reconhecimento facial e outras 10% identificação por voz, que dificultam o acesso de hackers a aparelhos pessoais. Apesar disso, um grande número deles cai no erro básico de utilizar a mesma senha para mais do que um produto ou plataforma.

19%

Das pessoas pesquisadas globalmente utilizam a mesma senha em todas as suas contas on-line, e outras 37% compartilham suas senhas com outras pessoas. Apenas 32% usam alguma técnica para memorizar todas as senhas

Essa proporção de pessoas que usavam a mesma senha para todos os sites era mais alta (26%) entre os mais jovens, que a pesquisa define como “millennials”. O termo foi cunhado pelos autores William Strauss e Neil Howe, que definem essa geração como a nascida entre 1982 e 2004.

Ela era mais baixa, de 10%, entre os baby boomers, que o censo americano define como aqueles nascidos entre 1946 e 1964.

Os crimes mais frequentes

53%

Dos crimes envolviam ter aparelhos infectados por vírus ou outras ameaças de segurança

34%

Envolviam senhas de contas on-line descobertas

34%

Fizeram compras on-line que eram na verdade golpes

32%

Clicaram em e-mails fraudulentos, ou enviaram informações sigilosas em resposta a e-mails fraudulentos

 

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