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Como é o maior acervo de revistas em papel do mundo

Coleção reúne 160 mil exemplares com foco em “cultura popular”; títulos servem para mostrar tendências visuais e costumes de cada época

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    Música, esporte, tecnologia, sexo, moda, pesca, cavalos, toda área de interesse humano provavelmente já teve em algum momento uma revista dedicada a ela. E, se teve, há grandes chances de algumas cópias da publicação estarem no Hyman Archive, uma coleção de 160 mil revistas acumuladas em Londres por um colecionador obsessivo.

    O Guinness verificou em 2012: trata-se do maior acervo do tipo no planeta. E não para de crescer. Quando o livro dos recordes fez sua inspeção, a coleção contava com quase 51 mil revistas, entre as quais 2.312 eram títulos únicos.

    A maior parte do material reunido em quase um quilômetro de prateleiras não se encontra disponível na internet de forma digital. O organizador James Hyman, que foi roteirista da MTV europeia na década de 1990, procura fundos para completar o trabalho de catalogação e digitalização do acervo. A ideia é que ele possa ser usado por empresas, acadêmicos, curadores e pesquisadores.

    Hyman explica que a coleção tem foco maior em “cultura popular”. Revistas inglesas e americanas que serviram de referência de informação e estética em diferentes épocas, como The Face, Raygun e Rolling Stone fazem parte da coleção.

    O autor lembra que o acervo, cujas publicações mais antigas datam de 1910, serve como lembrança de como boas revistas eram uma reunião de talentos excepcionais, entre fotógrafos, escritores, críticos, cartunistas, jornalistas, artistas visuais e ilustradores.

    É possível visitar o arquivo, mas o preço não é barato. Uma hora de pesquisa, com ajuda de um funcionário, sai por cerca de US$ 100 a hora, com descontos de 20% para estudantes e para o dia inteiro. Emprestar uma revista por três dias úteis sai por cerca de US$ 70.

    O que revistas dizem sobre tendências culturais

    “As revistas eram a internet dos anos 1990. Sua informação dependia muito das revistas se você queria saber o que estava acontecendo”, disse Hyman, em um vídeo de apresentação da coleção.

    Segundo ele, as revistas dizem muito sobre o “zeitgeist” (“espírito do tempo”) de uma época. Folhear títulos das décadas de 1950 ou 1980 traz uma abundância de informação visual sobre a “cara” de uma época, como as tendências de design, tipologia, fotografia, escrita e tecnologia.

    Referências a padrões culturais e códigos sociais também podem ser detectadas nas publicações. Em 2016, Hyman levou exemplares do acervo para uma exibição em que capas e matérias foram usadas para mostrar as mudanças no modo como a masculinidade foi retratada em diferentes épocas.

    Uma das raridades é uma edição de 1984 da revista trimestral americana “2600: The Hacker Quarterly”, em que foram publicados números de telefone diretos de todas as pessoas que trabalhavam na Casa Branca. Tal atrevimento só seria possível em uma era de menor controle. “Hoje, seriam presos por isso”, declarou Hyman.

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