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Este mapa-múndi mostra como varia o tempo de viagem até a cidade mais próxima

Dados foram publicados em artigo de janeiro de 2018 na revista Nature; mapa trata do acesso a serviços de saúde, educação e renda

 

Para pessoas que vivem em zonas rurais no mundo inteiro, viagens às cidades são necessárias para ter acesso a determinados recursos, como serviços bancários, emprego, educação e atendimento de saúde. Isso acontece porque a infraestrutura, renda e pessoas qualificadas não estão distribuídas igualmente no globo, mas fortemente concentradas nos centros urbanos.

Com base nessa ideia, pesquisadores do MAP (Malaria Atlas Project), ligado à Universidade de Oxford, buscaram medir o tempo de deslocamento de diversas regiões do globo até os centros urbanos mais próximos, com base em dados relativos a 2015. Não foram considerados meios de transporte aéreos, que são menos acessíveis à população em geral, e sim meios de transporte superficiais, como ferrovias, hidrovias e estradas.

O resultado é uma série de mapas divulgados em janeiro de 2018 na revista Nature, em um artigo intitulado “Um mapa global do tempo de viagem até cidades para entender desigualdades em acessibilidade em 2015”.

Os mapas se relacionam com o objetivo do projeto, que é divulgar informações geográficas sobre malária, uma doença que se concentra nas áreas rurais, assim como tópicos ligados a ela. Mas eles também ajudam a visualizar a desigualdade de acesso a recursos que trazem bem estar no geral, como hospitais, escolas, universidades e fontes de emprego.

Na imagem abaixo, as áreas pintadas com uma gradação de cores entre o branco e o amarelo-claro são aquelas com uma distância de até um dia do centro urbano mais próximo - a pesquisa define centro urbano como uma área contígua com 1.500 habitantes ou mais.

A gradação entre alaranjado e violeta colore os locais com distâncias de entre uma hora e um dia dos centros urbanos. E os pontos mais escuros, as áreas com distâncias de mais de um dia até a cidade mais próxima. Grande parte da Amazônia brasileira fica nessas faixas mais escuras e isoladas.

 

O dilema do acesso

Além de membros do MAP, a pesquisa possui também pesquisadores ligados ao Google Earth e ao Centro de Pesquisas Conjuntas da Comissão Europeia.

Para obter dados sobre rodovias e ferrovias, eles cruzaram informações da fundação sem fins lucrativos OpenStreetMap com dados do Google sobre rodovias e o tempo para se deslocar até elas. Dados sobre rios navegáveis foram obtidos no CIA World DataBank II. Informações sobre 13.840 áreas urbanas foram obtidas no banco de dados Global Human Settlement Layer, criado pela Comissão Europeia.

Enquanto 90,7% da população dos países de renda alta, concentrados na América do Norte e na Europa, vive em distâncias de até uma hora das cidades, o mesmo vale para apenas 50,9% da população dos países de baixa renda, concentrados na África subsaariana.

O artigo da Nature destaca que reduzir a desigualdade no acesso aos serviços, instituições e oportunidades econômicas das cidades pode ser uma das formas de melhorar a vida de diversas populações de forma igualitária.

O próprio artigo ressalta, no entanto, que retirar áreas do isolamento normalmente significa degradação ambiental. Desenvolvimento humano não é, com frequência, uma boa notícia para a natureza.

O caso do Brasil foi utilizado para ilustrar esse dilema. A primeira imagem abaixo mostra o mapa de calor com as distâncias até as cidades mais próximas. A segunda, as áreas com maior perda de florestas no país entre 2000 e 2015.

 

Segundo a pesquisa, a maior parte do desmatamento entre 2000 e 2015 no Brasil e no globo ocorreu em um pico em distâncias de uma hora a cinco horas das cidades. É possível que isso ocorra porque as áreas ainda mais próximas já tinham sido desmatadas antes de 2000, ou então porque o poder público é mais forte próximo às cidades e, portanto, mais capaz de impedir o desmatamento nessas áreas.

Independentemente disso, as áreas realmente distantes e isoladas de meios de transporte e centros urbanos são aquelas menos degradadas.

 

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