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A baixa presença de mulheres na ‘lista do poder’ da música americana

Lista dos 100 profissionais mais poderosos da indústria fonográfica, publicada pela Billboard, tem apenas 17 mulheres

     

    Em meios musicais de diversos países, uma das discussões mais relevantes dos últimos anos tem sido a baixa representatividade feminina e a desigualdade de gênero em diversas frentes.

    Quando os nomeados para a 60ª edição do prêmio Grammy foram anunciados em novembro de 2017, a baixa presença de mulheres foi pauta mais uma vez. Na noite da premiação, em 28 de janeiro de 2018, apenas uma mulher levou um dos troféus principais: Alessia Cara, vencedora na categoria artista revelação.

    Durante a transmissão da cerimônia, a hashtag #GrammySoMale (Grammy tão macho, em tradução livre) viralizou nas redes sociais. Em resposta, o presidente da Recording Academy, Neil Portnow, entidade que organiza o prêmio, disse à revista Variety que “as mulheres precisam dar um passo adiante porque acho que seriam bem-vindas”.

    No dia 25 de janeiro, a revista Billboard, referência principal para a indústria musical americana, publicou sua lista “The Power 100”, que classifica profissionais nas áreas de eventos, tecnologia, gerenciamento e gravação, segundo os critérios de influência e poder.

    Entre a centena de nomes, apenas 17% são mulheres, que em alguns casos aparecem como parte de uma equipe. Nas 10 primeiras posições, há apenas duas mulheres: a executiva Jody Gerson, presidente da editora Universal, braço da corporação que cuida de direitos autorais, em oitavo; e Michele Antony, vice-presidente da Universal, que divide o décimo lugar com o diretor financeiro Boyd Muir.

    Embora a Billboard reconheça a dominação masculina, a publicação ressalta que a situação melhorou em relação ao ano anterior, em que as mulheres ocupavam apenas 10% da lista.

    Os números da exclusão

    No mesmo dia da publicação da lista, saiu nos Estados Unidos um estudo intitulado “Inclusão no estúdio de gravação?”, em que a presença de mulheres em categorias de produção e gravação de música é mensurada.

    As porcentagens de participação são apresentadas em seis anos, de 2012 a 2017. Em geral, os números retratam pouca ou nenhuma evolução no espaço ocupado pelas mulheres.

    Em um universo de 600 músicas, que apareceram nas 100 mais populares da parada da Billboard, a participação das mulheres na verdade piorou de 2012 para cá. Se, naquele ano, a fatia feminina foi de 22,7%, em 2017 ela tinha encolhido para 16,8% (uma queda brusca em relação a 2016, que apresentou uma participação de 28,1%). A proporção é de 3,5 homens para cada mulher.

    Entre 2012 e 2017, a porcentagem média de mulheres levando crédito como compositora ficou em 12,3%. Ou seja, os homens apareceram como compositores de músicas em quase 90% das vezes, em média.

    Na área da produção, a situação é ainda pior. Em 2017, 98% dos créditos de produção do universo de 600 músicas avaliado foi para homens. O estudo coloca alguns dados do Grammy entre 2013 e 2018 para desnudar um quadro ainda mais desigual: 100% das nomeações do prêmio para produtor foram para homens.

    “As vozes femininas estão faltando na música popular”, declarou a professora Stacy L. Smith, uma das autoras do estudo. “É mais um exemplo do que se vê por todo o ecossistema do entretenimento. Mulheres são empurradas para as margens ou excluídas do processo criativo”.

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