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Este fanzine quer ensinar defesa pessoal para mulheres

Praticamente sem texto, cartilha lançada em 2017 por uma editora chilena conta com 6 golpes defensivos ilustrados em azul e amarelo

    Foto: Ilustrações de Cristian Toro e Nicolas González/Microeditorial Amistad
    'A mensagem do manual é que podemos nos defender', disse editora
     

    Único país sul-americano a ter uma mulher na presidência atualmente, o Chile enfrenta, no tocante à violência contra as mulheres, desafios proporcionalmente semelhantes aos do Brasil. No ano de 2017, segundo a contagem da organização “Red Chilena contra la Violencia hacia las Mujeres”, houve 65 feminicídios no país.

    Foi dessa conjuntura que emergiu o “Manual de Autodefensa Feminista”, fanzine produzido pela editora chilena, feminista e independente, Microeditorial Amistad. A casa de edições participará da Plana Festival Internacional de Publicações de São Paulo, de 23 a 25 de março.

     

    “Vivemos em um mundo violento, machista e patriarcal que nos ensina a sentir medo e, além disso, nos faz crer que as histórias não podem ser transformadas pela nossa vontade”, disse a equipe da editora ao Nexo, em entrevista por e-mail. “A mensagem do manual é que podemos nos defender.”

    “Mulheres e corpos não-masculinos não têm alternativas frente à violência. O manual é uma estratégia de movimentos feministas e, ao mesmo tempo, uma resposta à forma como construímos a nossa concepção corporal”, complementa.

    Tarix Sepúlveda, editora da Microeditorial Amistad, encomendou a Cristian Toro e Nicolas González as ilustrações dos passos de defesa pessoal impressas em serigrafia nas cores amarela e azul.

    Foto: Ilustrações de Cristian Toro e Nicolas González/Microeditorial Amistad
    O golpe 'la emancipadora'
     

    No miolo da publicação, o único texto a acompanhar as imagens está em legendas alusivas que dão nome aos golpes ensinados: “golpe baixo”, “ataque frontal”, “a emancipadora”, “não toque o meu cabelo!”, entre outros.

    Foto: Ilustrações de Cristian Toro e Nicolas González/Microeditorial Amistad
     

    Também em entrevista por escrito para o Nexo, o ilustrador Toro definiu as instruções coreografadas como “gestos gráficos” de reação à violência contra as mulheres no país. E destacou que, pela possibilidade de reprodução da imagem, as artes gráficas servem como ferramenta interessante para esse tipo de informação.

    Para ele, o zine traz uma primeira mensagem, concreta: como se defender de uma agressão masculina. E há uma outra camada, um subtexto de empoderamento feminino.

    “Esse simples gesto [de defesa] não se limita a um acontecimento físico, mas tem o potencial de desestabilizar todo um marco de configuração dos nossos corpos através da história.”

    Equipe da Microeditorial Amistad, ao Nexo

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