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O emprego formal em retrospecto, a partir de 5 gráficos

Resultado negativo de dezembro foi suficiente para anular o crescimento das vagas formais que o Brasil tinha acumulado nos meses anteriores de 2017

O Brasil tinha, ao final de 2017, 20.832 vagas de emprego formal a menos do que um ano antes. O saldo negativo foi divulgado pelo Ministério do Trabalho no dia 26 de janeiro. Isso significa que o país fechou mais postos de trabalho do que abriu pelo terceiro ano consecutivo. A última vez que o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) teve saldo positivo foi em 2014.

Durante 2017, o governo de Michel Temer fez questão de divulgar que o país voltava a criar empregos formais depois de passar os anos de 2015 e 2016 praticamente só cortando vagas. Mas ter criado vagas em 8 dos 12 meses do ano não foi suficiente para fechar o ano no azul.

O saldo negativo se deve a uma forte diminuição de postos de trabalho em dezembro. Em apenas um mês, o Brasil perdeu mais vagas de emprego formal do que tinha sido capaz de acumular durante os 11 meses anteriores.

Resultado em cada mês de 2017

 

A queda abrupta no final do ano aconteceu em praticamente todos os setores da economia, com exceção do comércio, que desde julho de 2017 acumula resultados positivos.

Somente em dezembro, a indústria de transformação fechou 110 mil vagas a mais do que abriu. Isso anulou o bom saldo que o setor apresentava até novembro, de cerca de 80 mil postos criados.

A construção civil fechou 52 mil somente em dezembro, o que piorou o saldo do ano que já era negativo em mais de 50 mil. O setor foi o que mais fechou postos em 2017.

O gráfico a seguir, mostra a evolução da criação e fechamento de vagas formais em cada setor da economia.

Onde estavam as vagas

 

O resultado negativo de dezembro não é uma coincidência. Desde 2003, pelo menos, o último mês do ano é de fechamento maciço de vagas. O número de 2017 é o melhor - ou o menos pior - dos últimos dez anos.

Comparação com anos anteriores

 

Diferenças no desemprego de dezembro

Caged

Dezembro, historicamente, é um mês de corte de vagas no Caged. Isso porque é quando são encerrados os contratos de trabalho temporários feitos para atender a demanda do fim de ano. Os trabalhadores são contratados ao longo do segundo semestre para atender à demanda para o Natal e despedidos em dezembro.

Taxa do IBGE

Por outro lado, o último mês do ano é o que costuma ter a menor taxa de desemprego nas pesquisas do IBGE, que medem também o trabalho informal. A explicação para isso está na metodologia. O Caged conta contratos feitos e quebrados, enquanto as pesquisas perguntam se o trabalhador esteve ocupado no período. Assim, um trabalhador que teve o contrato de trabalho quebrado em dezembro, conta como ocupado na taxa de desemprego.

2017 comparado aos anos anteriores

A análise dos últimos cinco anos mostra que a criação de vagas formais no Brasil foi melhor em 2017 do que durante os dois anos da recessão - 2015 e 2016. Apesar disso, o país ainda está muito abaixo do patamar pré-crise.

Mesmo durante o período em que o Brasil criou emprego em 2017, o saldo acumulado esteve abaixo de 2013 e 2014. Com o tradicional corte de contratos de trabalho em dezembro, o número passou de positivo para negativo.

O gráfico abaixo considera o número de vagas criadas ou fechadas entre janeiro e o mês indicado em cada um dos anos analisados. Em 2013, por exemplo, o Brasil tinha criado cerca de 1,5 milhão de vagas até novembro. Assim, o resultado negativo de dezembro levou o saldo do ano para cerca de 1,1 milhão.

Em cada ano

 

Quantos trabalhadores formais tem o Brasil

Os dados anteriores mostravam a variação no número de empregos formais no Brasil, mas o governo também divulga o chamado “estoque”, que é o total de brasileiros trabalhando formalmente no país.

Ao final de 2014, quando esse dado atingiu seu pico, o Brasil tinha 41,2 milhões de pessoas com emprego formal. Três anos depois esse número é 38,3.

2,9 milhões

Perda de vagas de emprego formal desde 2014

Involução

 

Reforma trabalhista

O governo Michel Temer aprovou em julho de 2017 no Congresso uma reforma que flexibiliza as regras de trabalho no Brasil. As mudanças passaram a valer três meses após a promulgação, em 11 de novembro.

A administração Temer diz que a flexibilização das regras trabalhistas vai gerar mais emprego, porém, há divergências sobre os seus efeitos.

Desde que a reforma foi implantada, o Caged registrou dois meses consecutivos de resultados negativos. O governo nega a relação entre a reforma e a diminuição dos empregos formais e argumenta que ainda é cedo para medir os efeitos das mudanças.

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