Para que serve o Flick, nova unidade de medida inventada pelo Facebook

A ideia é que ela ganhe aplicações na edição de áudio e vídeo de forma automática, facilitando tarefas de sincronização

    A Oculus, empresa de realidade virtual mantida pelo Facebook, anunciou nesta segunda-feira (22) a criação de uma nova unidade de medida. Batizada de “Flick”, ela corresponde a 1/705.600.000 segundo (ou à duração de uma das 705.600.000 partes que dividem um segundo) e pretende facilitar a vida de editores de áudio e vídeo em tarefas de sincronização.

    “Ao trabalhar na criação de efeitos visuais para um filme, televisão e outras mídias, é comum que se façam intervenções que subdividam um mesmo frame em partes menores”, explica Christopher Horvath, que liderou o projeto, em um post no GitHub, fórum on-line usado por desenvolvedores de softwares livres. “Juntar com perfeição esses pequenos trechos para criar intervalos com exatamente 1 frame ou 1 segundo de duração costuma ser algo trabalhoso.”

    Como “frame”, pode-se entender a menor unidade possível de alguma produção audiovisual. A indústria do cinema, por exemplo, costuma usar a taxa padrão de 24 Hz, ou 24 frames por segundo. Significa que, em um único segundo de filme, existem 24 imagens fixas (quadros). Cada uma delas fica na tela apenas 1/24 segundo, sendo substituída por outra para que o cérebro humano interprete tudo de forma contínua.

    Para a inserção de um efeito especial, por exemplo, cada uma dessas imagens precisa ser editada individualmente. Para isso, cada quadro é reduzido a trechos ainda menores, com até nanossegundos de duração. Esse ritmo lento de edição colabora para que a alteração tenha a aparência mais natural possível - e uma explosão, por exemplo, não esteja fora do timing do restante da cena.

    O grande problema é que, para medir em segundos o tempo que cada um desses pequenos trechos ficará na tela, os editores precisam fazer cálculos um tanto complexos. Tudo porque a divisão de 1/24 resulta em 0,041666 (…), uma dízima periódica, número infinito que, principalmente para fins de edição, precisa ser aproximado.

    Assim, o tempo de exposição de cada trecho pode se tornar 0,0417, ou mesmo 0,042. Apesar de mínima, a diferença pode trazer problemas de sincronização, dependendo do tipo de cena em que aparece.

    Como ela simplifica a edição

    Embora já existam ferramentas capazes de compensar tais diferenças, a ideia por trás do Flick é tornar todo o processo automático. A unidade de medida do Facebook permite que se trabalhe com diferentes formatos em unidades de tempo inteiras, sem simplificações - e, portanto, sem nenhum tipo de perda na qualidade da imagem.

    Em jogos de videogame, por exemplo, a frequência adotada costuma ser 60 Hz - ou 60 frames por segundo. Isso quer dizer que o software responsável pelos gráficos demora 16,666 (...) milisegundos (resultado da divisão de 1/60) para recriar os movimentos dos personagens e do cenário e transformá-los em pixels na tela, uma transição de imagens ainda mais rápida do que a que acontece no cinema.

    Ao invés de pensar em frames com duração em segundos, um designer de jogos pode, então, contar esse tempo em Flicks. Como cada Flick vale 1/705.600.000, a conta da divisão 1/60 resulta em 11.760.000 Flicks, número mais fácil de se trabalhar do que o fornecido pela unidade padrão de contagem de tempo, o segundo.

    Como pontuado pelo autor, vários outros formatos de mídias digitais também podem usar do Flick para conseguir intervalos menos quebrados. Há uma quantidade de Flicks correspondente também para frequências populares de vídeo como 25 Hz, 30 Hz e 60 Hz ou 44.1kHz e 192kHz, comuns na edição de áudio.

    Por tratar de frações de tempo infinitamente pequenas, no entanto, é provável que a unidade de medida do Facebook sirva mesmo essencialmente para aplicações desse tipo. “Meus 15 Flicks de fama finalmente chegaram”, brincou Horvarth em uma postagem em seu perfil no Facebook, comentando a repercussão do lançamento.

     

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