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Como (e por que) o tamanho das taças de vinho aumentou ao longo da história

Estudo feito no Reino Unido mostra aumento no volume das taças desde os anos 1700; a mudança corresponde ao crescimento no consumo de vinhos no país

 

De 66 ml para 449 ml, em média, foi o aumento da capacidade das taças de vinho de 1700 até hoje. A evolução, que se baseia em taças usadas no Reino Unido e representa um crescimento de quase sete vezes, foi mostrada em um estudo publicado em dezembro de 2017 pelo jornal científico British Medical Journal (BMJ).

Realizada por pesquisadores da Universidade de Cambridge, a pesquisa foi feita a partir de registros ou da medição de 411 taças de vinho de instituições como o museu de arte e arqueologia da universidade, a organização The Royal Household, que encomenda um novo conjunto de cristais a cada novo monarca inglês, e dos produtos de um fabricante de vidraria, de uma loja de departamentos e do site de varejo eBay.

O volume das taças aumentou continuamente de 1800 a 2017 e apresentou um crescimento acentuado na década de 1990, segundo o estudo.

 

A pesquisa adverte que é difícil determinar se a tendência de crescimento observada no Reino Unido é verdadeira em outras partes do mundo. No entanto, taças fabricadas em diversos países seguem em geral, desde o século 19, um padrão de tamanho estabelecido pela fabricante austríaca de vidros e cristais Riedel, fundada em 1756 - é da Riedel a taça padrão usada para degustação de vinhos entre sommeliers.

Recipiente e consumo

As taças maiores acompanharam o crescimento no consumo de vinho no país. Os pesquisadores não podem afirmar com certeza, entretanto, que os britânicos tenham passado a beber mais vinho devido ao aumento das taças.

Uma das autoras do estudo, Theresa Marteau, acredita ser provável que o tamanho da taça influencie a quantidade da bebida que ingerimos, por dois motivos: quanto maior o recipiente, mais despejamos nele; além disso, nossa percepção faz com que a quantidade de líquido pareça menor em uma taça de maior volume, segundo explicou Marteau à BBC.

Causas para copos maiores

Inovações tecnológicas e o custo da produção de vidros, assim como a prática da degustação, estão entre as razões apontadas pelo estudo para as taças grandes a que se chegou hoje.

Até 1845, um imposto sobre o vidro era cobrado no Reino Unido. A taxação é vista como responsável pela fabricação de produtos à base do material em tamanho reduzido. No final do século 19, além disso, a produção passou a contar com processos mais automatizados. Os dois fatores juntos explicam o aumento das taças a partir do século 19.

Já no século 20, o tamanho e a forma das taças de vinho começaram a se adequar às diferentes variedades da bebida, a partir da descoberta de que o copo pode interferir no aroma e sabor.

As taças cada vez maiores fabricadas a partir da década de 1990 são explicadas por uma demanda do mercado americano, que recorreu à produção britânica.

Proprietários e clientes de bares e restaurantes também foram parcialmente responsáveis pela mudança nos últimos anos: “se as vendas de vinho [nesses estabelecimentos] aumentaram quando foi vendido em taças maiores, isso pode ter incentivado comerciantes a usá-las com maior frequência” e, da parte dos consumidores, o copo maior é capaz de incrementar a sensação de prazer e o desejo de beber mais, segundo outras pesquisas recentes citadas no estudo.

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