As páginas do herbário da poeta Emily Dickinson foram digitalizadas. E estão on-line

Americana coletou centenas de flores e as dispôs artisticamente em dezenas de páginas, antes mesmo de começar a escrever versos

    Foto: Biblioteca Houghton, Universidade de Harvard
    Página do herbário de Dickinson
     

    Todas as 66 páginas de um herbário composto pela poeta americana Emily Dickinson (1830-1886) podem ser vistas no site da Biblioteca da Universidade de Harvard, responsável por sua digitalização. A coleção científica reúne mais de 400 espécies secas em um álbum de capa dura, catalogadas à mão pela poeta ora com o nome comum, ora com o nome científico.

    As plantas foram coletadas por Dickinson de seus 9 aos 16 anos, de 1839 a 1846. A idade com que ela deu início ao herbário coincide com o começo de seus estudos de botânica.

    Até a digitalização, o herbário de Dickinson estava praticamente indisponível para o grande público. O exemplar original se encontra na sala dedicada à autora da Biblioteca Houghton de Livros Raros da Universidade de Harvard, mas suas condições são tão frágeis que mesmo estudantes têm sido proibidos de examiná-lo. Uma edição fac-símile lançada em 2006 também está esgotada, cotada atualmente entre US$ 1.000 e US$ 2.000 na Amazon.

    Foto: Biblioteca Houghton, Universidade de Harvard
    Página do herbário de Dickinson
    Foto: Biblioteca Houghton, Universidade de Harvard
    Página do herbário de Dickinson
    Foto: Biblioteca Houghton, Universidade de Harvard
    Página do herbário de Dickinson
     

    “O que emerge [do herbário] é uma elegia ao tempo, composta com paciência apaixonada, emanando a mesma atenção direcionada à sensualidade e à mortalidade que marca a poesia de Dickinson”, escreveu a crítica cultural Maria Popova no site Brain Pickings. À época, o hábito de coletar e estudar plantas era comum entre as meninas.

    Foto: Biblioteca Houghton, Universidade de Harvard
    Variedades da flor violeta coletadas por Dickinson
     

    O álbum desperta interesse pela composição cuidadosa das páginas e pelos sentidos extraídos por especialistas da intersecção entre arte e ciência nele presente, e mesmo das plantas que interessavam à autora. A acadêmica Judith Farr dedicou o livro “The Gardens of Emily Dickinson” (Os jardins de Emily Dickinson) ao interesse da poeta pelas flores e pela jardinagem. Seu objetivo é o de unir, em uma só personalidade criativa, a poeta e a jardineira em Dickinson.

    Foto: Biblioteca Houghton, Universidade de Harvard
    Jasmim na primeira página do herbário de Dickinson
     

    Farr analisa, por exemplo, o significado de ser o jasmim, uma flor incomum em Amherst, Massachusetts (cidade natal de Dickinson), a primeira flor prensada em sua coleção. Para a pesquisadora, trata-se de um indicativo do interesse da poeta pelo estrangeiro, pela aventura, o desconhecido e o exótico, características que desafiaram sua criação disciplinada para torná-la poeta.

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