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Por que o buraco na camada de ozônio diminuiu, segundo a Nasa

Para agência espacial americana, o Protocolo de Montreal, acordo que regulou emissões de gás CFC em 1987, tem mostrado resultados

 

O buraco na camada de ozônio ao redor da Terra parece estar menor, de acordo com um novo estudo da agência espacial americana Nasa, publicado na revista científica Geophysical Research Letters em 4 de janeiro de 2018. Informações coletadas pelo satélite Aura permitiram observar o processo por meio da medição dos agentes químicos responsáveis pelo rombo.

Em comparação com a medição feita em 2005, o nível do principal desses componentes químicos, o cloro, presente no composto gasoso CFC, é 20% menor. O agente vem sendo reduzido em 0,8% anuais, desde a medição de 11 anos atrás. Com isso, sua ação sobre a camada de ozônio vem perdendo força.

A observação atual foi feita durante o inverno da Antártida, continente sobre o qual se encontra o buraco. Foi a primeira vez que medições da composição química dentro da abertura na camada foram usadas em um estudo. Em 2016, pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) americano, também observaram a mudança, em outro tipo de análise.

O CFC atinge a Antártida porque os gases CFC sobem para camadas mais altas da atmosfera, que são mais frias. Ali, a temperatura média é ainda inferior à da região ártica. Sob essas condições, o CFC acaba reagindo com as nuvens na altura da camada de ozônio, danificando-a.

Se o processo atual continuar, calcula-se que a recuperação total ainda possa levar décadas. “Os gases CFC têm vida útil de 50 a 100 anos”, afirmou Anne Douglass, cientista de clima da Nasa, em comunicado à imprensa da agência espacial. “Com relação ao buraco do ozônio, estamos falando de 2060 a 2080. E mesmo nessa época, ainda pode haver um pequeno buraco.”

O protocolo de Montreal

Para a Nasa, está claro que a reversão é um resultado do Protocolo de Montreal, acordo internacional assinado em 1987 em que cerca de 150 países se comprometeram a trabalhar para eliminar as emissões de CFC.

“Antes do protocolo, substâncias destruidoras do ozônio estavam aumentando rapidamente. Uma vez que as regulações entraram em vigor, presenciamos sua diminuição”, afirmou Susan Strahan, cientista do clima da Nasa.

 

O Brasil foi um dos signatários do protocolo, comprometendo-se a eliminar suas emissões de CFC até o ano de 2010. Atualmente, apenas inaladores usados no tratamento de asma são fabricados com CFC no país. Antes, qualquer farmácia continha um amplo leque de produtos com o gás, como desodorantes e sprays para cabelo.

Em 2016, o especialista sênior em espumas do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), Miguel Quintero, disse que o Brasil era um modelo para a América Latina em seu cumprimento do Protocolo de Montreal.

Décadas de gases CFC

Grande vilão no ataque à camada de ozônio, os clorofluorcarbonos (ou CFCs) são compostos orgânicos que contêm carbono, cloro e flúor, produzidos como derivados voláteis dos gases metano e etano.

Esses gases foram sintetizados pela primeira vez nos Estados Unidos em 1928. Rapidamente, foram adotados pela indústria por seu baixo preço, facilidade de armazenamento e multiplicidade de aplicações.

Fabricantes de ar condicionado e refrigeradores adotaram o CFC, assim como indústrias de produtos vendidos em latas de aerossol. Cinco décadas depois do nascimento do CFC, pesquisas científicas começaram a indicar que ele seria o principal responsável pela destruição da película de ozônio na atmosfera, até então.

A camada de ozônio circunda a Terra em altitudes de 15 a 50 quilômetros. Ela é responsável por absorver parte significativa dos raios ultravioletas emitidos pelo Sol em direção ao planeta.

Sem o filtro de ozônio, a radiação pode prejudicar a saúde humana, aumentando a propensão ao câncer de pele, além de prejudicar a biodiversidade e a produção agrícola.

Escalada do óxido nitroso

Estudos dos últimos dez anos, entretanto, sugerem que outro gás, o óxido nitroso (também conhecido como “gás do riso”), pode hoje ser a principal ameaça gasosa à película de ozônio. Sua produção tem aumentado a cada ano. Informes divulgados durante a 19ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP 19), realizada na Polônia em novembro de 2013, indicavam que a concentração desse gás na atmosfera poderia aumentar 83% até 2050.

O óxido nitroso é capaz de capturar calor e contribui para o efeito estufa. As maiores emissões de óxido nitroso vêm de estações de tratamento de esgoto e de fertilizantes usados na indústria agrícola. Ainda não há nenhuma regulação sobre ele em vigor.

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