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O que o Ibope diz sobre a avaliação de Temer e seu governo em 2017

Denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República, presidente viu rejeição disparar e atingir nível recorde

     

    Desde que assumiu a Presidência da República, ainda interinamente em maio de 2016, Michel Temer é um presidente impopular. Mas a sucessão de crises que atingiu o Palácio do Planalto em 2017 transformou o peemedebista no chefe do Executivo federal mais mal avaliado da história do Brasil.

    Pesquisa encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) ao Ibope, divulgada nesta quarta-feira (20), mostra que os que avaliam o governo Temer como ótimo ou bom aumentaram de 3% para 6%. O crescimento, apesar de representar que a popularidade dobrou (pelo menos numericamente), está pouco acima da margem de erro da pesquisa, que é dois pontos percentuais para mais ou menos.

    Temer assumiu o Planalto depois de articular com o PMDB e partidos de oposição, como o PSDB, o impeachment de Dilma Rousseff, sua companheira de chapa nas eleições de 2010 e 2014. O governo petista vinha com a popularidade em baixa, mas o substituto também não agradou à maioria das pessoas. A aprovação a Temer nunca chegou a 20%.

    Era ruim, foi ficando pior

    No final de 2016, o próprio Temer afirmou que não se importava de ser um presidente com baixa aprovação. Disse que a impopularidade criava a oportunidade para que seu governo propusesse as reformas que o Brasil precisava.

    Temer havia acabado de conseguir a aprovação do teto de gastos, que congelou a despesa real do governo por 20 anos, e estava lançando a reforma da Previdência. Assim ele chegou a 2017 com pouca aprovação, mas provavelmente ninguém no governo imaginava que a reprovação, na época em 46%, pudesse subir mais.

    Impacto das denúncias

    O primeiro semestre de 2017 foi o período em que Temer passou de um presidente que propunha medidas impopulares para um presidente suspeito de corrupção. As primeiras citações vieram em delações de executivos da Odebrecht, que disseram ter tratado de propina diretamente com o então vice-presidente da República no Palácio do Jaburu, sua residência oficial.

    O maior golpe na popularidade do governo, no entanto, aconteceu na noite de 17 de maio, quando o jornal O Globo divulgou detalhes do acordo de delação premiada de executivos da JBS com o Ministério Público. Temer foi gravado por Joesley Batista, um dos empresários mais poderosos do país, supostamente dando aval para pagamentos para evitar confissões dos antigos aliados Eduardo Cunha e Lúcio Funaro.

    Reprovação aumenta com denúncias

     

    Temer foi duas vezes denunciado criminalmente pela Procuradoria-Geral da República, mas a Câmara arquivou os processos, que não chegaram a ser avaliados pelo Supremo Tribunal Federal. O impacto na popularidade do governo, no entanto, foi grande.

    Nos meses seguintes, a parcela da população que achava o governo ruim ou péssimo passou de 55% para 77% - o pior índice da história. Os que aprovavam Temer também foram diminuindo: de 13% no final de 2016 para 3% em setembro de 2017.

    A comparação com o governo de Dilma também foi ficando mais desfavorável a Temer com o passar dos meses. Se no início do mandato 25% achavam o peemedebista pior que a petista, hoje esse número chega a 59%.

    No gráfico abaixo é possível ver que o “pior” cresceu em todas as pesquisas, com excessão da última, quando ficou no mesmo valor da anterior.

    Pior que Dilma

     

    Avaliação da economia

    Em discursos, Temer e integrantes do governo sempre ressaltam que quando assumiram o Brasil passava por uma das maiores crises de sua história. E os dados de melhora recente na economia - pequeno crescimento, redução dos juros, da inflação e do desemprego - são um dos principais argumentos da propaganda do governo.

    A avaliação que o governo tem de seu próprio trabalho na economia, no entanto, não é compartilhada pela população. O Ibope pergunta nas pesquisas o que as pessoas acham da atuação do governo em áreas específicas, e Temer é maciçamente reprovado quando os temas são: juros, inflação e desemprego.

    Mal na economia

     

    A avaliação feita para a economia é repetida em todos os outros quesitos da pesquisa Ibope. Algumas avaliações, no entanto, são historicamente negativas mesmo para outros presidente.

    Os números para a gestão da saúde, 88% de reprovação, são, por exemplo, parecidos com os do início do segundo mandato de Dilma. Mesmo Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou a Presidência com aprovação recorde, tinha rejeição maior na saúde - na casa dos 55%.

    Desaprovado em tudo

     

    O positivo para o governo

    Se por um lado os dados de aprovação do governo são extremamente ruins, os piores para um presidente desde a redemocratização, na última pesquisa houve pelo menos uma reação numérica pequena. A aprovação foi de 3% para 6%, e a reprovação caiu de 77% para 74%.

    Os entrevistados que confiam em Temer passaram de 6% para 9% e os que aprovam sua maneira de governar foram de 7% para 9%. O Ibope ressalta que entre os entrevistados maiores de 55 anos houve um  “aumento significativo” da popularidade de Temer.

     

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