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O site que mostra quais filmes e séries têm acusados de assédio na equipe

Rotten Apples permite consultar produções cujos diretores, roteiristas, atores e produtores tenham sido alvo de denúncias

     

    Desde outubro, quando mais de 50 mulheres do meio cinematográfico vieram a público denunciar o produtor americano Harvey Weinstein por assédio sexual, acusações contra figuras da indústria americana do entretenimento (e mesmo de outras áreas, como a política e a gastronomia) se multiplicaram.

    O site Rotten Apples (Maçãs podres, em português), colocado no ar no dia 12 de dezembro, é um produto do debate que as acusações, feitas no contexto da campanha virtual #MeToo (Eu também), têm provocado. A base de dados pode ser ampliada - ou corrigida, se houver erros - com a colaboração de usuários do site.

    O nome da ferramenta faz referência ao site americano Rotten Tomatoes, um agregador de críticas de cinema e TV. As “maçãs podres” são diretores, produtores executivos, roteiristas ou membros do elenco. Para verificar se algum profissional ligado à série ou filme tem envolvimento com casos de abuso ou assédio, basta digitar o título na barra.

    Quando algum acusado participa da obra, o resultado são as palavras “rotten apples” em grandes letras vermelhas, e o nome da pessoa em questão, com uma referência de texto jornalístico que esclarece por que e quem foi denunciado.

     

    Quando, ao contrário, todos os que fizeram parte da produção têm “ficha limpa”, o resultado da busca são as palavras “fresh apples” (maçãs frescas) em letras verdes e um texto, dizendo não haver ligação com figuras acusadas de assédio sexual.

    De acordo com a descrição do site, o objetivo é o de ampliar ainda mais a conscientização do quanto esse tipo de conduta sexual abusiva é disseminada no meio cinematográfico e televisivo, ajudando espectadores a fazerem um consumo ético desses produtos. 

    A descrição também garante que o Rotten Apples não pretende servir como registro condenatório de um projeto inteiro, que é fruto de trabalho coletivo, devido à conduta de um único indivíduo.

    O debate sobre o que consumimos

    A reflexão sobre “consumo ético” de obras de entretenimento marcadas por alguma acusação contra pessoas que participem dela traz à tona a questão de ser ou não possível separar artista e obra, trabalho e conduta.

    O artigo “O que fazemos com a arte dos homens monstruosos?”, publicado no dia 20 de novembro pela revista literária The Paris Review, discute qual postura o espectador deve assumir diante dos filmes de diretores como Roman Polanski, Woody Allen e do popular programa de TV The Cosby Show, sitcom estrelada por Bill Cosby. Todos foram acusados de estupro. Ao fim, a questão colocada pela escritora Claire Dederer, autora do texto, permanece em aberto.

    Dependendo da posição adotada, o Rotten Apples pode servir como um guia do que não assistir. Ou mesmo como uma ferramenta para tomar uma decisão informada de quais obras e figuras merecem admiração.

     

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