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O que a Apple ganha com a compra do Shazam

Empresa confirmou transação, e deve pagar US$ 400 milhões pelo serviço de reconhecimento de músicas, lançado em 2002

 

A Apple confirmou, dia 11 de dezembro de 2017, que planeja comprar o aplicativo Shazam, capaz de captar o som de trechos de músicas, comerciais, programas de TV e filmes, compará-los a uma base de dados e descobrir seu nome e autor. Segundo o site de tecnologia TechCrunch, a empresa pagará cerca de US$ 400 milhões na transação pelo aplicativo, que, desde 2008, já foi baixado mais de 1 bilhão de vezes por usuários do sistema iOS, da Apple.

De acordo com o TechCrunch, Eddy Cue, o vice-presidente sênior de Software de Internet e Serviços da Apple, viu no Shazam uma oportunidade de a companhia ampliar o seu negócio de streaming de música, que tem cerca de 27 milhões de usuários, contra o concorrente Spotify, que tem cerca de 60 milhões de usuários.

Em nota, a Apple afirmou que “a Apple Music e o Shazam são uma união natural, elas compartilham uma paixão pela descoberta de música e entregam ótimas experiências musicais para nossos usuários”.

Com a compra, a Apple garante uma parceria que já vinha funcionando com o Shazam, e ganha acesso a uma enorme base de dados sobre as preferências musicais de usuários.

Parceria garantida

Atualmente, o Shazam serve como porta de entrada para serviços de streaming de música. Após detectar uma faixa, ele permite que o usuário se conecte a serviços como Apple Music, da Apple, e às concorrentes Spotify, Rdio e Saavn.

A assistente inteligente Siri, presente em iPhones e iPads, também se conecta ao Shazam, e usa o serviço para responder aos usuários que perguntam “o que eu estou ouvindo, Siri?”. Além disso, o Shazam também se conecta à rede social Snapchat, da empresa de tecnologia Snap, o que permite aos usuários identificar músicas e compartilhá-las com amigos.

Informações sobre a venda do Shazam vinham circulando na mídia especializada havia meses, e a Snap chegou a fazer uma oferta pela empresa, que também era do interesse do Spotify. A compra por parte da Apple pode ser encarada como uma forma de assegurar a parceria com o Shazam, e controlar ou extinguir parcerias com concorrentes no futuro.

Dessa forma, a empresa também garante que os celulares iOS não percam uma função que está disponível no sistema Android -o Google Assistant, da concorrente Google, também tem um sistema de reconhecimento de músicas.

Dados de usuários

Além do Apple Music, pelo qual assinantes podem ouvir música on-line, a Apple também vende música diretamente por meio do iTunes, pelo qual é possível comprar e baixar faixas. Ele foi lançado em 2001, junto ao iPod, e ajudou a moldar a indústria fonográfica nos anos 2000.

Em entrevista à BBC, Mark Mulligan, membro da consultoria especializada em mídia Media Research, avaliou, no entanto, que a Apple não foi capaz de desenvolver um bom sistema de recomendações de músicas novas aos usuários -um dos grandes diferenciais do concorrente Spotify.

Ao comprar o Shazam, a empresa ganha acesso a dados de usuários desde quando o serviço foi lançado, em 2002, seis anos antes do primeiro iPhone -naquela época, o aplicativo só estava disponível na Grã-Bretanha, e usuários tinham que discar 2580 no telefone e segurá-lo próximo à fonte da música cujo nome e autoria gostariam de descobrir.

Essas informações coletadas há mais de 15 anos podem facilitar o desenvolvimento de um sistema de recomendações melhor. “A Apple simplesmente não tem a mesma quantidade de dados sobre gostos que o Spotify, o que significa que ela não pode dar recomendações com um grau de precisão tão grande. O Shazam essencialmente fornece um atalho para a posse de um banco de dados massivo”, afirmou Mulligan.

Em uma entrevista ao jornal americano Los Angeles Times, Daniel Ives, chefe da divisão de pesquisa em tecnologia da consultoria GHB Insights, fez uma afirmação similar. “O único motivo pelo qual eles [o Shazam] têm tido sucesso é de que eles vêm atuando há anos, e têm uma base forte de clientes (...) Para a Apple, o foco é comprar essa base de clientes e dados”, disse.

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