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Indicações ao Grammy estão mais diversas. Quais são as novidades

Edição de 2018 será a primeira da história em que nenhum homem branco foi indicado a álbum do ano. O ‘Nexo’ explica as circunstâncias

    Na manhã do dia 28 de novembro, o Grammy anunciou os indicados para sua premiação de 2018, que acontece em 28 de janeiro. Ele é considerado o principal evento da indústria musical de língua inglesa, algo como o Oscar da música.

    A divulgação dos nomes que concorrem no próximo ano chamou atenção na imprensa e nas redes sociais por alcançar alguns marcos históricos de diversidade.

    Pela primeira vez desde sua criação, em 1959, não houve qualquer homem branco indicado na categoria álbum do ano. “Despacito", dos porto-riquenhos Luis Fonsi e Daddy Yankee, se tornou a primeira música em espanhol indicada nas categorias de gravação e canção do ano. Além disso, nenhum dos artistas indicados ao prêmio de gravação do ano é branco. 

    Os rappers Jay-Z e Kendrick Lamar e o cantor e o compositor Bruno Mars são os artistas que concentram o maior número de indicações para 2018.

     

     

    Nos últimos anos, assim como diversas outras premiações artísticas, o prêmio musical foi alvo de críticas relativas à falta de representatividade nas indicações, ao predomínio de artistas brancos consagrados e, também, à incapacidade de contemplar a importância artística e comercial do hip hop hoje – as três, de certa maneira, são desdobramentos de um mesmo problema.

    O fato de as indicações para o 60º Grammy apontarem para um avanço na diversidade tem sido atribuído, principalmente, a mudanças no processo de votação para as categorias, que se tornou digital, e às reações negativas que a premiação enfrentou nos últimos anos.  

    3 fatos novos sobre os indicados de 2018

    Votação on-line

    Até 2017, quando foi realizada a votação que definiu os indicados do ano seguinte, a escolha dos artistas que disputam as categorias era feita por meio de cédulas de papel. A partir deste ano, a votação passou a ocorrer pela internet.

    Os membros com direito a voto são profissionais da indústria fonográfica que tenham seu nome nos créditos técnicos ou de criação de pelo menos seis faixas de um lançamento físico, ou de 12 de um álbum lançado digitalmente. São cerca de 13.000 pessoas. A hipótese da produtora musical americana Dani Deahl é que a transição para a votação digital facilitou e democratizou o processo, levando a um corpo mais diversificado de votantes e, consequentemente, a escolhas mais diversas.

    Pluralidade

    Nas categorias gerais – as que não premiam gêneros específicos e sim o álbum, gravação e canção do ano – praticamente todos os indicados são artistas negros ou latinos.

    Álbum do ano

    • “Awaken, My Love!” – Childish Gambino
    • “4:44” – Jay-Z
    • “Damn” – Kendrick Lamar
    • “Melodrama” – Lorde
    • “24K Magic” – Bruno Mars

    Apesar das comemorações, ainda é preciso aguardar o anúncio dos vencedores. Um artista negro não leva o prêmio de álbum do ano há uma década, desde que Herbie Hancock venceu com “River: The Joni Letters”, em 2008.

    Hip Hop e R&B tomam conta

    Com artistas homens em maior número, as categorias mais importantes foram dominadas por indicados dos dois gêneros musicais (Jay-Z, Kendrick Lamar, Childish Gambino, Khalid e SZA).

    Em 2017, o hip hop e o R&B ultrapassaram pela primeira vez o rock como gênero musical mais consumido nos EUA, de acordo com o relatório da Nielsen Music, que faz o levantamento semestral do consumo de música no país.

    Mesmo com a aparição de novos nomes de peso na última década, como o de Lamar, um rapper não leva o prêmio de álbum do ano desde 2004, quando a dupla Outkast foi premiada por “Speakerboxxx/The Love Below”.

    Apesar de sua importância e popularidade no cenário da música americana atual, o R&B também foi consistentemente ignorado pelas categorias mais relevantes do prêmio nos últimos anos.

    Como chama atenção Dani Deahl em um artigo publicado no dia 28 pelo site The Verge, “uma mulher negra não ganha o álbum do ano desde 1999 (Lauryn Hill), apesar da existência de Beyoncé, Rihanna, Alicia Keys, Solange e muitas outras mulheres negras que lançaram ótimos discos”.

    As disputas de álbum do ano em 2015, 2016 e 2017

    2015: Beck ganha o prêmio por seu álbum “Morning Phase”. Com seu disco “Beyoncé”, a cantora e compositora era a favorita

    2016: Com discurso de tom feminista de Taylor Swift, que saiu premiada, e apresentação marcante e engajada de Kendrick Lamar contra o encarceramento em massa e a violência policial que atingem a população negra, o Grammy foi mais político do que tradicionalmente costumava ser

    2017: A cantora Adele vence com o disco “Adele”, frustrando mais uma vez (foram três indicações) as expectativas de que Beyoncé fosse premiada, dessa vez por “Lemonade”.  Adele quebra a estatueta e a divide com Beyoncé, reconhecendo a qualidade artística de seu álbum conceitual e visual

    Na análise do jornalista Andrew Unterberger, da Billboard, a decepção manifestada pelo público em 2015 ao ver Beck ser premiado em vez de Beyoncé deu início a uma reflexão muito necessitada do que as premiações representavam à época e que papel queriam desempenhar no mundo da música. Para ele, o Grammy agora finalmente parece pronto para o futuro.

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