Como está a desigualdade de renda no Brasil, segundo o IBGE

Resultado de pesquisa aponta a também diferenças nos ganhos entre homens, mulheres, brancos e pretos

 

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mudou a metodologia para calcular a desigualdade entre ricos e pobres no Brasil. O resultado, porém, reafirma um problema nacional: a diferença de renda persiste.

O indicador de desigualdade é um dos resultados divulgados pelo IBGE na quarta-feira (29) a partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, que investigou o rendimento e a força de trabalho. A pesquisa trabalhou com dados coletados em 2016, ano em que o país estava em recessão econômica e com o desemprego em alta.

Em razão das mudanças metodológicas (que detalhou mais as perguntas sobre o que efetivamente o brasileiro recebe em um ano), o instituto não comparou os dados com os de anos anteriores, mas segundo o IBGE o cenário econômico ruim afetou o rendimento do brasileiro. “Em tempos de crise, essa desigualdade se acentua”, afirmou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, em entrevista à Agência Reuters.

Em 2017, a economia voltou a dar sinais de recuperação e o desemprego, de recuo. Outro levantamento, divulgado nesta quinta-feira (30), indicou que a taxa de desocupação caiu de 12,8% (trimestre encerrado em julho) para 12,2% (trimestre encerrado em outubro). Significa dizer que havia, no período, 12,73 milhões de pessoas desempregadas em busca de trabalho. Esses resultados podem, adiante, estabilizar ou reduzir um pouco a desigualdade.

Concentração e desigualdade

Em 2016, o ganho médio de uma pessoas que integra o grupo de 1% mais rico da população era equivalente a 36 vezes do ganho de uma pessoa que integra o grupo da metade mais pobre do país.

889 mil

é o número de pessoas que integram o grupo de 1% mais rico, que em 2016 teve rendimento médio de R$ 27 mil /mês

44,4 milhões

é o número de pessoas que integram o grupo de 50% com menor renda e que em 2016 ganhou R$ 747 em média por mês, inferior ao salário mínimo

A concentração de renda e a diferença entre os ganhos desses dois grupos demonstram o quanto o Brasil é desigual. O índice de Gini, usado para medir a desigualdade, ficou em 0,525 no país em 2016. O IBGE está estudando como adaptar a nova metodologia para calcular o índice a partir de 2012 e, assim, verificar se a desigualdade aumentou de fato ou apenas se estabilizou.

O índice de Gini vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de zero, mais igualitária a distribuição de renda. Em 2016, o índice variou de acordo com a região e, a exemplo do que já se viu em outros estudos, a desigualdade continua mais alta no Nordeste.

Comparação por região

 

O resultado de 0,525 refere-se ao rendimento mensal real do brasileiro, ou seja, que considera tudo o que foi recebido (salário, pensão e aposentadoria, entre outras fontes).

Quando o IBGE considera a renda domiciliar per capita (todo o rendimento dividido pelo número de moradores de uma casa), o índice de Gini no país chega a 0,549. O Distrito Federal é a unidade mais desigual, enquanto Santa Catarina é o estado com melhor distribuição de renda entre seus habitantes.

Comparação por unidade federativa

 

Renda de acordo com região, gênero e cor

A pesquisa identificou que o rendimento médio real domiciliar per capita foi de R$ 1.242. A exemplo do que ocorre com indicadores de desigualdade, Norte e Nordeste ainda apresentam rendimento inferior ao verificado nas demais regiões.

Rendimentos no país

 

Segundo o IBGE, a informalidade ajuda a explicar a diferença entre as regiões. Explica também o fato de estar no Norte e no Nordeste o maior número de famílias que dependem de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. No Nordeste, por exemplo, 29,3% dos 18,3 milhões de domicílios recebem recursos repassados pelo programa federal.

Segundo o IBGE, o Nordeste é a região em que se verifica o menor percentual de rendimentos oriundos do trabalho e, por outro lado, o percentual mais alto de brasileiros com rendimentos vindos de “outras fontes”, o que inclui os programas de transferência de renda. Essa característica dá a dimensão do peso dos recursos assistenciais na renda familiar.

“Trata-se de uma região com mais informalidade no trabalho, o que contribui para taxas de desocupação mais elevadas. Essas características desfavoráveis fazem com que a população precise contar com programas de transferência de renda”

Cimar Azeredo

coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE

A transferência de renda

 

Em 2016, o rendimento médio de cada brasileiro foi de R$ 2.149. Quando é feito o recorte por gênero, o IBGE identifica que as mulheres receberam, na média, R$ 1.836. Já os homens tiveram rendimento de R$ 2.380. Há diferença também quando se observa a cor da pele: o rendimento médio de pessoas brancas foi de R$ 2.810, ante R$ 1.547 das pretas e R$ 1.524 das pardas.

Mulheres e homens

 

 

ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto usava concentração de renda como sinônimo de concentração de riqueza. Este último conceito, porém, leva em conta o patrimônio, e não o rendimento. A informação foi corrigida às 17h40 de 1º de dezembro de 2017. Além disso, também numa primeira versão, o gráfico sobre desigualdade de renda entre os gêneros inverteu os dados de homens e mulheres na região Sudeste. A informação foi corrigida às 18h20 de 1º de dezembro de 2017.

 

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